Arlindo Domingos da Cruz Filho nasceu em 14 de setembro de 1958, no Rio de Janeiro, e cresceu cercado pela música. Aos sete anos, ganhou um cavaquinho do pai. Na adolescência, aprendeu violão e teoria musical
Durante a juventude, estudou na Escola Preparatória de Cadetes da Aeronáutica, mas seu caminho era o samba. Aos 17, tocou cavaquinho no disco “Roda de Samba”, de Candeia, amigo de seu pai e seu ídolo
No final dos anos 1970, descobriu as rodas do bloco Cacique de Ramos, na zona Norte do Rio. Logo se destacou como instrumentista e compositor e se tornou expoente de uma geração que revigorou o samba —e que foi encaixotada no rótulo “pagode”
Em 1981, entrou para o grupo Fundo de Quintal, assumindo o banjo que cabia antes a Almir Guineto. Foram 12 anos no conjunto, período em que se tornou um músico famoso e requisitado
O vício em cocaína passou a atrapalhar o desempenho de Arlindo. Em 2003, ele parecia fadado à decadência. Sua voz estava muito comprometida, e o CD “Pagode do Arlindo”, lançado naquele ano, foi considerado precário em termos técnicos
Apesar disso, ele nunca deixou de compor compulsivamente —segundo suas próprias contas, são mais de 550 músicas gravadas.Sua capacidade e seu talento lhe permitiram dar a volta por cima
O marco da virada foi o disco “Sambista Perfeito”, de 2007. A faixa de abertura, “Meu Lugar”, parceria com Mauro Diniz, virou uma febre nacional e colocou o bairro de Madureira, na zona Norte do Rio, nos holofotes
Depois vieram as aparições frequentes na TV Globo —no programa “Esquenta!”, de Regina Casé, e compondo músicas por encomenda—, um “MTV ao Vivo” duplo, um DVD gravado na praça da Apoteose e a consolidação como um artista de ponta
Tudo isso sem imagem de galã e sem largar a boemia e as drogas. Entre seus fãs, parceiros e intérpretes estão Caetano Veloso, Maria Rita, Marcelo D2 e Seu Jorge, além de inúmeros grupos de pagode e artistas para quem deu apoios fundamentais
Entre seus amigos, Zeca Pagodinho sempre foi considerado um irmão. A dupla era chamada de “o gordo e o magro” na juventude e compôs sucessos como “Camarão que Dorme a Onda Leva”, “Bagaço da Laranja”, “SPC” e “Alto Lá”
Quase todos os anos, compunha samba-enredos para a Império Serrano, sua escola de coração. Também participou de disputas em outras agremiações, como Acadêmicos do Grande Rio e Unidos de Vila Isabel
No dia 17 de março de 2017 foi vítima de um AVC que o incapacitou. Ele chegou a ser submetido a mais de 14 cirurgias e chegou a regredir no tratamento. Durante todo o tempo, foi cuidado pela esposa, Babi Cruz
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noticia por : UOL






