A maior farmacêutica do mundo, Eli Lilly & Co., acaba de atingir mais um marco: é a primeira empresa de saúde a ultrapassar o limite de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,4 trilhões), enquanto investidores apostam alto nos medicamentos para perda de peso da fabricante.
As ações da Lilly subiram até 1,7% na sexta-feira (21), elevando seu valor de mercado para cerca de US$ 1 trilhão, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Com esse avanço, a Lilly consolidou sua posição como a primeira empresa farmacêutica e a segunda empresa americana fora do setor de tecnologia a alcançar esse marco.
É o mais recente marco para a Lilly, que foi catapultada para o primeiro lugar como a maior empresa de saúde do mundo em termos de capitalização de mercado em 2023. O avanço foi impulsionado pelo entusiasmo de Wall Street com a classe de medicamentos da empresa chamados GLP-1s usados para tratar obesidade e diabetes, junto com sua pílula de perda de peso de próxima geração em um mercado projetado para atingir US$ 95 bilhões (R$ 513 bilhões) até 2030.
“Com um trilhão, é duas vezes maior que a segunda maior empresa no setor de saúde”, disse Jared Holz, estrategista da Mizuho Securities USA LLC. “Essa é uma situação incrível para eles.”
Ameaças de tarifas altíssimas, alardes sobre custos de medicamentos prescritos e contratempos para seu medicamento contra obesidade tornaram o ano turbulento. Em maio, as ações da Lilly caíram depois que a administradora de benefícios de medicamentos CVS Health Corp. retirou o Zepbound de sua lista de medicamentos preferenciais e o substituiu pelo Wegovy da Novo Nordisk A/S. Nos últimos meses, as ações recuperaram o fôlego com um relatório de lucros do terceiro trimestre melhor do que o esperado, perspectivas elevadas e um acordo com o governo Trump, ajudando a impulsioná-la a novos patamares.
As ações subiram 37% até agora este ano, após uma alta de 32% em 2024. E os investidores estão redobrando as apostas de que a farmacêutica manterá sua posição como uma das principais beneficiárias na corrida para tratar a epidemia de obesidade, com base na força de sua franquia de medicamentos para perda de peso.
Folha Mercado
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A crescente demanda por medicamentos que ajudam as pessoas a perder peso indesejado, bem como os esforços da Lilly para aumentar a produção e expandir seu pipeline, ajudaram a empresa de Indianápolis a ultrapassar sua rival dinamarquesa no mercado de obesidade. Em maio, uma comparação direta mostrou que o Zepbound da Lilly ajudou as pessoas a reduzir mais gordura abdominal do que o Wegovy da Novo. A pílula experimental para obesidade da Lilly também ajudou pacientes a perder peso e controlar o açúcar no sangue tão bem quanto o Ozempic em um estudo separado. E enquanto as vendas do Zepbound superaram as expectativas de Wall Street até agora este ano, a Novo teve que reduzir sua previsão anual quatro vezes em meio a vendas abaixo do esperado.
Em seus resultados trimestrais mais recentes, a farmacêutica americana disse que seus medicamentos GLP-1 agora representam quase 58% desse mercado, que inclui o Ozempic e o Wegovy da Novo.
“Quando você olha o que eles fizeram lado a lado contra a Novo, que tinha a liderança inicial na obesidade, entrar e tomar basicamente dois terços da nova participação de mercado em dois anos é incrível”, acrescentou Holz. “Em termos de execução, tem sido consistentemente boa.”
Agora, Wall Street está voltando sua atenção para a próxima fase do setor —uma pílula fácil de engolir que é menos cara de produzir.
Uma decisão da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA sobre a aprovação do medicamento oral para obesidade da Lilly é esperada no início de 2026, e a empresa aumentou o fornecimento antes de um possível lançamento. Geoff Meacham, da Citi, que estima que as vendas anuais da pílula atingirão mais de US$ 40 bilhões, atribuiu à Lilly um preço-alvo de US$ 1.500 na semana passada —o mais alto em Wall Street.
“A dominação da Lilly na categoria deve acelerar”, escreveu o analista. Seu preço-alvo sugere que o valor de mercado da empresa ultrapassaria US$ 1,4 trilhão nos próximos 12 meses.
Enquanto isso, uma série de desenvolvedores está correndo para replicar o sucesso da farmacêutica. Para se manter na liderança, a Lilly está conduzindo estudos de tirzepatida —o composto químico do Zepbound — em condições de saúde relacionadas, como doença hepática, insuficiência cardíaca e doenças imunológicas. A empresa também está examinando sua pílula experimental para obesidade, orforglipron, em hipertensão e apneia do sono.
Holz, da Mizuho, vê mais potencial de alta para as ações da Lilly se a empresa continuar a encontrar impulsionadores de crescimento, seja em sua franquia de obesidade ou em seu programa de Alzheimer.
“É possível que em três, quatro, cinco anos, esta seja uma empresa de US$ 2 trilhões? Sim, muito possível”, disse Holz.
noticia por : UOL





