Piloto da missão Artemis 2 faz test drive a caminho da Lua

Tinha sido um dia muito longo para a tripulação da Artemis 2 da Nasa. Mas Victor Glover, 49, o piloto a bordo da espaçonave, não parecia nem um pouco cansado.

Na verdade, o astronauta parecia quase eufórico no final da quarta-feira (1º), quando assumiu os controles da cápsula Orion do computador e pôde pilotar a espaçonave manualmente.

“É bem agradável e muito responsiva”, disse Glover, ex-piloto de testes da Marinha, ao controle da missão. “E a câmera também é melhor do que a que estávamos usando no Sim.” Sim é a abreviação de simulador, uma réplica em escala real que permite aos astronautas praticar o pilotagem da espaçonave na Terra.

Isso fez parte de um exercício realizado após a espaçonave Orion se separar do segundo estágio do foguete SLS (Space Launch System), lançado de Cabo Canaveral, na Flórida, na quarta-feira.

“Eu chamo isso de test drive do carro”, disse Howard Hu, gerente do programa Orion, durante uma entrevista coletiva na quinta-feira (2).

Durante futuras missões Artemis, a Orion terá que acoplar com módulos de pouso lunar construídos pela SpaceX e Blue Origin que levarão astronautas à superfície da Lua. Não havia como praticar a acoplagem real com o estágio do foguete descartado. Mas aquele objeto serviu como um alvo conveniente para testar algumas manobras precisas da espaçonave.

Na terminologia da Nasa, eram operações de proximidade, ou prox ops, na forma abreviada.

“Estamos testando coisas que precisaremos fazer em um voo futuro”, explicou David Dannemiller, gerente adjunto do sistema de orientação, navegação e controle da Orion, no final da transmissão ao vivo da Nasa. “Então, ao conseguir fazer isso agora, se virmos alguma coisa estranha nos dados ou decidirmos que precisamos fazer correções, temos tempo para fazer essas correções antes do voo da Artemis 3.”

Durante o exercício, Glover aproximou a Orion a dez metros do estágio do foguete. Os outros astronautas da Artemis 2 mantiveram vigilância constante para garantir que não haveria perigo de uma colisão em órbita.

Quando os propulsores dispararam, “aquela pequena vibração é como um tremor bem leve, como dirigir sobre uma estrada levemente irregular”, disse Glover.

Ele disse que isso era diferente dos sons de estalo que os propulsores das espaçonaves russas Soyuz e Crew Dragon, da SpaceX, fazem.

Então ele recuou e manobrou a Orion para ter uma visão lateral do estágio do foguete, notando um símbolo específico afixado ali.

“Consigo ver o alvo de acoplagem lateral”, afirmou Glover. “Essa é uma bela bandeira americana.”

Após cerca de uma hora, o teste foi concluído.

“No geral, pessoal, isso voa muito bem”, disse Glover ao controle da missão.

Dannemiller disse que o teste forneceu informações cruciais sobre o sistema de propulsão da Orion que não poderiam ser obtidas sem ir ao espaço. Isso inclui as câmeras. No espaço, não há moléculas de ar para a luz refletir e se difundir.

“Câmeras no espaço historicamente tiveram problemas”, afirmou Dannemiller. “As partes claras são muito claras, e as partes escuras são muito escuras.”

Os pequenos pulsos dos propulsores às vezes eram sutis demais para serem medidos pelos acelerômetros da espaçonave. “Estamos fazendo manobras muito, muito, muito pequenas”, disse Dannemiller. “São menos de um centésimo de metro por segundo de mudança de velocidade no veículo.”

A única maneira de os astronautas perceberem era observando a posição relativa do estágio do foguete à frente deles.

Todas as manobras planejadas foram realizadas em menos tempo do que o previsto. “Cumprimos todos os objetivos de teste que estabelecemos”, disse Hu.

Outras tarefas de pilotagem manual estão planejadas para mais tarde na missão, incluindo apontar para uma estrela e desligar alguns dos propulsores e testar se um sistema de controle degradado ainda funciona bem o suficiente.

“É por isso que estamos fazendo isso”, disse Dannemiller, “para deixar alguns dos testes do sistema para trás antes de fazermos as primeiras acoplagens de verdade na Artemis 3.”

Na Artemis 3, a ideia é testar os módulos de pouso lunar em um voo em órbita baixa da Terra. Esse voo está previsto para 2027.

noticia por : UOL

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