Sob manobra de governistas, CPI do Crime Organizado enterra relatório e poupa ministros do STF

DO REPÓRTERMT

Em uma sessão marcada por trocas repentinas de membros e tensão política, a CPI do Crime Organizado rejeitou, nesta terça-feira (14), o relatório final do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O parecer, que pedia o indiciamento dos ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, foi derrotado por 6 votos a 4.

A votação ocorreu após uma manobra na composição do colegiado articulada pela base governista. Senadores considerados “combativos”, como Sergio Moro e Marcos do Val, foram substituídos por parlamentares alinhados ao governo, o que Alessandro Vieira classificou como uma tentativa direta de “enterrar” as investigações. O relator atribuiu aos magistrados e ao PGR crimes de responsabilidade por, supostamente, dificultarem os trabalhos da comissão e obstruírem apurações sobre lavagem de dinheiro.

O relatório trazia denúncias graves, apontando que Alexandre de Moraes teria atuado em processos com impedimento financeiro e que Dias Toffoli teria vínculos indiretos com investigados. Já Gilmar Mendes foi acusado de anular medidas investigativas essenciais. No campo financeiro, o texto destacava o “Caso Master” como um dos maiores escândalos recentes, citando conexões entre o sistema bancário e o crime organizado para ocultação de recursos ilícitos.

Apesar da rejeição do indiciamento das autoridades, o documento apresentou um diagnóstico alarmante da segurança no Brasil:

– Cerca de 28,5 milhões de brasileiros vivem em áreas sob governança de 90 facções criminosas.

– O país registrou 44.127 mortes violentas em 2024.

– O uso de criptomoedas, fintechs e infiltração nos setores de combustíveis e ouro são as principais engrenagens de lavagem de dinheiro no país.

Com o encerramento do prazo da CPI e a rejeição do relatório, cabe agora ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidir se submete os pedidos de crime de responsabilidade contra os ministros a uma comissão especial.

 

Com informações do Metrópoles.

FONTE : ReporterMT

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