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Eliene Liberato, que comandou a Secretaria de Educação no período investigado, permanece no polo passivo de ação que apura o sucateamento do transporte escolar rural
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Eliene Liberato, que comandou a Secretaria de Educação no período investigado, permanece no polo passivo de ação que apura o sucateamento do transporte escolar rural
ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
A prefeita de Cáceres, Eliene Liberato (PSB), e o ex-prefeito Francis Maris (PL) são réus em uma ação de improbidade que investiga o pagamento de R$ 3.978.296,22 por um serviço de transporte escolar prestado em condições precárias. Em decisão publicada no último dia 10 de abril de 2026, a juíza federal Ana Lya Ferraz da Gama Ferreira manteve a validade das provas que revelam como crianças e adolescentes da zona rural eram transportados em veículos sucateados.
Eliene, que foi vice-prefeita por dois mandatos (2012 e 2016), comandou a Secretaria de Educação entre 2018 e 2019. Agora, sua gestão é alvo de uma condenação que aponta o uso de dinheiro público federal, de programas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), como o PNATE (Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar) e o PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola), para bancar ônibus que, segundo a sentença, tinham “múltiplas deficiências, como ausência de cintos de segurança, infiltração de poeira e circulação com pneus carecas”, colocando em “risco grave e concreto” a vida dos estudantes.
O processo detalha um esquema de “vistas grossas” para garantir que o dinheiro fosse pago à empresa Princesa Turismo EIRELI. O fiscal Orisvaldo José da Silva, que teve seus recursos negados nesta semana pela Justiça, chegava a assinar documentos garantindo que tudo estava perfeito até quando não havia aula. “Relatórios produzidos pelo próprio requerido nos meses de dezembro — inclusive durante o recesso escolar — apenas reforçam a superficialidade de sua atuação”, diz trecho da decisão.
A juíza rebateu o argumento de que era difícil fiscalizar tantos ônibus, afirmando que o perigo era visível para qualquer um. “As irregularidades eram ostensivas, reiteradas e de fácil percepção, não se tratando de falhas pontuais”, escreveu a magistrada, reforçando que houve uma “adesão ao resultado ilícito” ao pagar milhões por um serviço precário. (Veja abaixo fotos extraídas do processo):
A sentença de outubro de 2025, confirmada agora em 2026, condenou a empresa e o fiscal ao ressarcimento de valores e ao pagamento de multas civis que, somadas, ultrapassam os R$ 119 mil em sanções imediatas. A Justiça enfatizou que o pagamento integral por ônibus caindo aos pedaços é uma “violação aos princípios da moralidade administrativa”. Com a nova intimação confirmada neste mês, a prefeita Eliene Liberato segue respondendo judicialmente pelo sucateamento do transporte escolar rural de Cáceres.
“Trata-se de conduta que ultrapassa os limites da mera irregularidade administrativa. De fato, cuida-se de uma falha grave na execução contratual, que desborda da mera falha administrativa ou operacional, atingindo parcela da população mais carente, exposta a incremento de risco em transporte escolar que os programas de apoio buscavam, justamente, evitar. Tal circunstância é suficiente para caracterizar a materialidade do ato ímprobo nos termos delineados pela legislação vigente“, diz a magistrada.
FONTE : ReporterMT









