A Raízen enviou uma proposta alternativa a seus credores enquanto tenta acertar os termos de uma reestruturação de dívida de R$ 65 bilhões, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Na proposta apresentada na noite de sábado (25), a Raízen informou aos credores que está em negociações para levantar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões em capital novo, disseram as pessoas ouvidas pela reportagem.
Embora esse novo detalhe provavelmente agrade os bondholders —que haviam proposto que os acionistas atuais injetassem R$ 8 bilhões— a empresa rejeitou outras mudanças solicitadas pelos credores, incluindo abrir mão do controle do conselho.
A empresa mantém sua proposta de aumento de capital pelos controladores de R$ 4 bilhões vindos da Shell e do bilionário Rubens Ometto, disseram as pessoas, que pediram anonimato para discutirem negociações privadas. Não ficou claro de onde viria o novo dinheiro. A Cosan, conglomerado fundado por Ometto que divide o controle da Raízen com a Shell, não está aportando recursos na empresa em dificuldades.
A Raízen está resistindo às exigências dos credores para que os acionistas abram mão da maioria dos assentos no conselho ou para que executivos sejam responsabilizados por possíveis passivos que possam surgir no futuro, afirmaram as pessoas familiarizadas com o tema. A empresa afirmou, no entanto, que aceitaria a criação de um comitê de credores para acompanhar mais de perto a governança, segundo uma das pessoas.
Ometto ainda deseja permanecer como presidente do conselho da Raízen, embora a empresa reconheça que isso será um ponto de tensão com os credores, segundo a apuração. Credores bancários e detentores de títulos solicitaram separadamente, em suas propostas, que Ometto seja removido, informou a Bloomberg anteriormente.
Raízen, Cosan e Ometto não comentaram. A Shell não respondeu a um pedido de comentário fora do horário comercial.
A empresa reiterou sua proposta de que os credores recebam uma participação de 70% em uma possível conversão de dívida em ações, disseram as fontes. A nova oferta da empresa não inclui a sugestão dos bancos credores de que 30% dos recursos provenientes da venda de ativos na Argentina sejam usados para reduzir a dívida da Raízen, segundo uma das fontes.
A companhia vem negociando com credores para chegar a um acordo e evitar a necessidade de pedir recuperação judicial, após ter iniciado uma reestruturação extrajudicial em março. As partes têm um prazo legal até 6 de junho para alcançar um acordo extrajudicial com apoio suficiente de detentores de títulos e bancos credores.
Folha Mercado
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Antes líder na produção de biocombustíveis no Brasil, a Raízen foi afetada por juros elevados, investimentos pesados que ainda não geraram retorno e desafios operacionais nas divisões de açúcar e etanol, levando a uma série de resultados abaixo do esperado. Esses problemas corroeram seu fluxo de caixa e fizeram sua dívida disparar.
À medida que as negociações entre acionistas para um resgate se arrastaram, os títulos caíram para níveis de estresse. Quando contratou assessores para otimizar sua estrutura de capital, agências de rating rebaixaram a empresa de grau de investimento para níveis de alto risco, ampliando ainda mais a queda dos papéis.
noticia por : UOL








