Uber prevê lucro no 2º trimestre, apesar do impacto da guerra no Oriente Médio

A Uber registrou receitas abaixo do esperado no primeiro trimestre de 2026, sendo impactada pelo conflito no Oriente Médio. No entanto, o aplicativo de transporte prevê um futuro mais otimisma, conforme a base de membros pagantes da plataforma cresce.

Sediada em São Francisco, a empresa informou que as receitas no primeiro trimestre foram de US$ 13,2 bilhões, um pouco abaixo das estimativas dos analistas de US$ 13,3 bilhões. O impacto foi mais forte no serviço de transporte, mas foi compensado pelo desempenho do serviço de entregas de alimentos do grupo.

A Uber também disse que as receitas sofreram um impacto de US$ 1 bilhão devido a mudanças no modelo de negócios. A empresa passou por uma reformulação na legislação tributária do Reino Unido, que entrou em vigor no início deste ano. Para 2026, eles esperam um impacto negativo de cerca de US$ 1 bilhão por trimestre.

As ações da Uber registraram alta de 9% antes da abertura do mercado, motivado pelas projeções da empresa para o trimestre atual, que previu lucros superiores ao que os analistas esperavam.

Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, disse aos investidores que a empresa começou o ano em uma posição forte “apesar de um cenário macroeconômico complexo”, com preços de combustíveis voláteis, incerteza geopolítica e condições climáticas severas nos Estados Unidos.

A Uber mantém operações de transporte por aplicativo na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, cidades que têm sido atingidas por ataques iranianos desde o início da guerra entre EUA e Israel, no final de fevereiro.

A empresa não é a única a alertar investidores sobre os impactos do conflito. A alta nos preços do petróleo abalou a confiança do consumidor e pressionou gastos discricionários.

No último ano, a Uber agiu agressivamente para competir preço contra rivais do setor. A empresa usou descontos para impulsionar reservas e a adesão ao programa de assinatura Uber One, que ultrapassou 50 milhões de usuários pela primeira vez em abril.

As reservas brutas —uma medida do gasto total dos clientes em todas as unidades de negócio— cresceram 25% em relação ao ano anterior no trimestre encerrado em 31 de março, atingindo US$ 53,7 bilhões e superando as estimativas de analistas de US$ 52,9 bilhões.

A Uber projetou um lucro ajustado para o segundo trimestre de 2026 entre US$ 2,7 bilhões e US$ 2,8 bilhões, frente à estimativa de US$ 2,66 bilhões de analistas, segundo a S&P Visible Alpha. A empresa também projetou reservas brutas entre US$ 56,25 bilhões e US$ 57,75 bilhões, acima das expectativas anteriores de Wall Street.

As mudanças no modelo de negócios no Reino Unido, que se aplicam apenas fora de Londres, seguem uma alteração na forma como as tarifas de transporte são tributadas, introduzidas no orçamento de novembro.

Agora, os motoristas da Uber contratam diretamente os passageiros, com a Uber atuando como ‘agente’. Isso permite que a empresa transfira a responsabilidade ampliada do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) para os motoristas, mas faz com que ela reconheça uma parcela menor da tarifa total como receita própria. Em Londres, o maior mercado britânico, a Uber permanece como a ‘comerciante’ e, portanto, é a responsável pelo IVA.

O diretor financeiro da Uber, Balaji Krishnamurthy, afirmou que a mudança foi, em grande parte, uma diferença contábil que ‘não tem impacto na economia subjacente’.”

Khosrowshahi tem buscado expandir o escopo dos serviços da Uber enquanto redobra a aposta em um “super aplicativo”, já tendo incorporado entrega de alimentos, compras de supermercado e varejo. No mês passado, a Uber revelou uma parceria com a Expedia em seu evento anual Go-Get, em Nova York.

O lucro líquido da Uber no primeiro trimestre foi de US$ 263 milhões, pressionado por um impacto negativo de US$ 1,5 bilhão nas suas diversas participações societárias. A empresa investiu em várias companhias de capital aberto cujas ações caíram no último ano, incluindo a Grab, com sede em Singapura, e a chinesa DiDi.

O grupo vem trabalhando para implementar veículos autônomos e planeja operar esses serviços em pelo menos 15 cidades este ano. A empresa se comprometeu a gastar mais de US$ 10 bilhões para apoiar a implantação de frotas de veículos autônomos, conforme o Financial Times reportou anteriormente.

Como muitas empresas de tecnologia, a Uber viu os gastos com ferramentas de inteligência artificial crescerem mais rápido do que o esperado, após o surgimento de modelos novos e mais eficientes, como o Claude Code da Anthropic.

“Estamos vendo o uso de IA crescer em taxas inacreditáveis”, disse Khosrowshahi, acrescentando que cerca de 10% do código da Uber agora é escrito por agentes de IA.

Krishnamurthy disse que a Uber “aumentou o investimento” em IA. “Francamente, quando definimos nossos orçamentos para 2026 em novembro, subestimamos o impacto que as ferramentas de IA poderiam ter”, afirmou.

Khosrowshahi minimizou as preocupações de investidores de que agentes de IA possam ser uma ameaça aos negócios da Uber, citando temores históricos de que empresas de viagens online, como Expedia e Booking.com, seriam eliminadas pelos mecanismos de busca.

“IA vai viabilizar experiências totalmente novas, mas acreditamos que o consumidor continuará vindo diretamente até nós para a maioria delas”, disse ele.

noticia por : UOL

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