Você tem, por exemplo, um paciente que fez uma tomografia há duas semanas. Muitas vezes, se você não tem acesso a aquilo, está no meio de um atendimento de emergência ou mesmo no atendimento de ambulatório, e o paciente não trouxe aquele exame, eventualmente você vai ter um desperdício e, nesse caso, ainda vai fazer o paciente tomar radiação de novo desnecessariamente. E, nesse caso, a IA vai dar uma ajuda muito grande porque a gente teve um esforço de organizar o data lake da Rede D’Or, só que a utilização desses dados pelo médico era limitada. Imagina você no meio do atendimento de emergência no ambulatório acessar todo o histórico de informações daquele paciente, que é gigantesco. E agora, com o uso da IA durante o atendimento, ela traz o que é relevante para aquele atendimento.
Diante dessa pressão dos custos, que é inegável, tem alguns especialistas que falam que o plano de saúde no futuro pode se tornar um artigo de luxo, que vai ser tão caro para pagar a mensalidade que só pessoas de alta renda vão poder pagar. O que o senhor acha que pode ser feito para que o plano de saúde não vire um artigo de luxo?
Acho que o principal ponto é a avaliação das novas tecnologias. Eu acho que o Brasil hoje tem um modelo em que a gente tem a Conitec incorporando no SUS, a ANS incorporando na saúde suplementar e, muitas vezes, até antes dessas avaliações, esse produto já está no Brasil com registro na Anvisa e há judicialização.
Ainda que as Cortes superiores tenham feito um grande trabalho para criar limitações no que se deve dar cobertura, de ter que ter comprovação médico-científica, ainda assim a gente vê uma judicialização grande, um número muito grande de liminares. Quando a gente vê essas liminares, a gente vê muitas vezes cobertura para casos que não têm benefício para o paciente.
Eu citei aqui alguns casos conhecidos que afetavam a saúde suplementar e o SUS, de muitas vezes cobertura de medicamentos para pacientes que se beneficiariam se tivessem até 2 anos de idade, segundo a bula, e foram feitos para pacientes com 10, 12 anos. Então, isso é desperdício de recursos para o setor.
O Brasil, se eu não me engano, só tem um acordo de compartilhamento de risco do SUS com a indústria. A Itália tem 377. Então, acho que é um ótimo caminho onde a gente alinha os interesses e tenha mecanismos de incorporação de tecnologia por busca de eficiência e eficácia do sistema.
noticia por : UOL









