Operação no RJ mira rede de lavagem de dinheiro para CV e PCC e apura conexão de operador com Al Qaeda

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro realizam, na manhã desta quarta-feira (15), operação que mira rede de lavagem de dinheiro para facções criminosas do país. Até o momento, dez pessoas foram presas.

Entre os alvos está um homem ligado a estrutura de financiamento da organização terrorista Al Qaeda, segundo a polícia. Ele já chegou a ser sancionado pela Ofac (órgão responsável pela aplicação de punições econômicas) dos EUA.

O esquema movimentou pelo menos R$ 100 milhões, entre 2021 e 2024, em recursos ilícitos e prestava serviços financeiros ao TCP (Terceiro Comando Puro), além de ocultar valores do CV (Comando Vermelho) e do PCC (Primeiro Comando da Capital). A corporação afirmou que a possível conexão com o financiamento terrorista será aprofundada a partir da análise do material apreendido na operação.

Foram expedidos dez mandados de prisão e 37 de busca e apreensão, cumpridos no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas Gerais e em Foz do Iguaçu (PR). Ao todo, 22 pessoas foram denunciadas sob suspeita de integrar o grupo.

Conforme a acusação, a organização usava empresas de fachada recém-criadas para inserir recursos ilícitos no sistema financeiro e conferir aparência de legalidade ao dinheiro do crime. Entre as estratégias identificadas estão depósitos fracionados em espécie —o chamado “smurfing” —, uso de laranjas e cooptação de contadores.

A investigação começou na DRCPIM (Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial), após a identificação de uma loja no Complexo do São Carlos ligada à cúpula do TCP. A loja vendia produtos falsificados e recebia eletrônicos roubados. A partir do rastreamento dos suspeitos de serem responsáveis pelo comércio, os investigadores afirmam ter encontrado uma rede de empresas de fachada em diferentes estados, usada para movimentar recursos do tráfico.

Após analisar centenas de transações bancárias e a movimentação financeira dessas empresas, o Ministério Público verificou que os acusados movimentaram valores incompatíveis com sua capacidade econômica e com o faturamento das empresas usadas. Isso evidenciaria uma estrutura sofisticada de lavagem de dinheiro.

O Ministério Público aponta Bárbara Luzia Souza de Carvalho como uma das principais operadoras financeiras da organização. Conforme a denúncia, ela movimentou dezenas de milhões de reais como sócia e administradora de empresas cujo faturamento declarado era incompatível com o volume de recursos transacionados.

Ainda foi identificado um núcleo de empresários de origem libanesa apontado como suspeito de ampliar a circulação interestadual e internacional do dinheiro ilícito —os irmãos Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun. Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava também na tríplice fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, região monitorada por órgãos nacionais e internacionais por risco de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo.

Foram presos nesta quarta Ali Alfakih, Bárbara de Oliveira Rosa, Bárbara Luzia Souza de Carvalho, Kassem Zayoun, Lucas Gabriel Vidal, Reda Zayoun, Samuel Morais da Hora, Thierry Martins Lourenço Ribeiro, Yago Jorge de Souza Daniel e Yasser Zayoun.

O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, da 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio recebeu integralmente a denúncia tornando os acusados réus. O magistrado também determinou o bloqueio de ativos financeiros e a indisponibilidade de bens e participações societárias dos investigados.

A polícia não informou se eles têm defesa. A reportagem tenta localizar seus advogados.

A Operação Halawa é conduzida por agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados, com apoio da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), e por promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado), do MP-RJ.

noticia por : UOL

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