Finalistas da Copa do Mundo neste domingo (19), Espanha e Argentina têm jeitos parecidos de jogar. Ambas valorizam a posse de bola e o jogo construído pelo meio de campo, mas guardam uma diferença crucial: enquanto os espanhóis prezam pelo jogo coletivo e descentralizado, o time argentino gira em torno do craque Lionel Messi.
O camisa 10 dos hermanos foi formado na base do Barcelona, clube epítome da filosofia de jogo espanhola, e agora encara, além de sua escola, o jovem apontado como o herdeiro de seu legado.
O prodígio Lamine Yamal ainda não conseguiu roubar a cena nesta Copa. A lesão de que se recuperava no início do torneio afetou seu desempenho; ainda assim, seus números mostram pouco impacto direto no resultado da Espanha.
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Ele fez 1 gol nesta Copa (8% dos 13 marcados pela Fúria). Chutou 23 vezes (19%) e não deu nenhuma assistência. Na Eurocopa de 2024, quando foi o grande destaque do título espanhol, fez 1 gol e deu 4 assistências. Hoje, é mais um ótimo complemento para sua coesa seleção do que o protagonista dela.
Do outro lado, Messi centraliza os números da Argentina. O craque marcou 8 dos 19 gols de sua seleção na Copa (42%), artilheiro da competição ao lado de Mbappé. Além disso, deu 4 assistências, somando participação direta em 12 dos 19 tentos dos hermanos.
Além da diferença de participação dos craques, veja como jogam Argentina e Espanha nesta Copa do Mundo.
Como joga a Espanha
A Fúria chega à final com a melhor defesa do campeonato, tendo sofrido apenas um gol, na partida contra a Bélgica, pelas quartas de final. Sua receita de sucesso defensivo, curiosamente, é o ataque. Ostentando 63,7% de posse de bola, os espanhóis controlam o jogo a ponto de limitar as chances de gol dos adversários.
Assim, os argentinos, que jogaram 60 minutos a mais pelas prorrogações no mata-mata, ficam mais vulneráveis ao cansaço na hora de marcar.
Esse estilo de jogo espanhol é ideologicamente coletivo. Seus jogadores são treinados desde as categorias de base a priorizar o toque de bola, no estilo chamado “tiki-taka”, implementado na seleção pelo técnico Luis Aragonés em 2006.
Vicente del Bosque, seu sucessor no comando da Fúria, deu sequência à intervenção e conquistou o primeiro título da Espanha na Copa do Mundo de 2010. Mas o ápice global do “tiki-taka” foi o Barcelona do técnico Pep Guardiola.
Encabeçada pelo talento de Lionel Messi, a equipe não apenas venceu, como inspirou times de todos os cantos a imitar esse jeito de jogar. Mais de 15 anos depois, na final deste domingo (19), Messi é a grande ameaça para o país que o lançou para o futebol.
Além do craque argentino, outro problema para Fúria pode ser a própria eficiência ofensiva: com 13 gols marcados, a Espanha tem o pior ataque entre as quatro primeiras colocadas da Copa. O artilheiro é o pouco badalado Oyarzabal, com 5 gols. Em seguida, vêm os improváveis Mikel Merino, meio-campista reserva, e Pedro Porro, lateral direito, com 2 tentos cada. Yamal tem apenas 1 gol até aqui.
Mas, Lamine à parte, o grande nome do time é o volante Rodri, pilar do meio de campo. Ele e o lateral esquerdo Cucurella devem ser os principais encarregados da marcação de Messi, crucial para o bicampeonato da Espanha.
Como joga a Argentina
A alviceleste tem o melhor ataque entre os quatro primeiros colocaodos, com 19 gols, dos quais 12 têm participação direta de Messi. Mas também tem a pior defesa, com 7 sofridos.
Assim como a Espanha, valorizaram a posse de bola ao longo do torneio, com 60,9% dela na campanha, impulsionada pela defensividade dos adversários no mata-mata, é verdade. Só que, se os ibéricos têm no “tiki-taka” sua ideologia, os argentinos têm em seu craque uma religião.
Messi lidera, com folga, as estatísticas de gols, assistências e até mesmo de chutes da equipe. O vice-artilheiro é Lautaro Martínez, com 3 gols, ante 8 de Messi. Mac Allister é o segundo jogador que mais finalizou, com 13 arremates, ante 34 de Messi, que também lidera as assistências, com 4.
Paredes, De Paul, Mac Allister e Enzo percorreram cerca de 100 metros por minuto jogado cada, ante 81 metros por minuto de Messi nesta Copa. Em essência, o meio de campo vigoroso corre pelo craque enquanto ele flutua para encontrar espaço.
Mas a Argentina tem outras virtudes que podem resolver o jogo.
Além de carregar piano para Messi, o meia Mac Allister e o zagueiro Romero mostraram poder de fogo nas bolas aéreas nesta Copa: ambos fizeram, de cabeça, gols decisivos. Esse tipo de jogada pode ser crucial na final: os espanhóis tentaram 40 cruzamentos a mais, mas fizeram 1 gol de cabeça ante 4 dos argentinos.
Os chutes de longe podem ser outra arma dos hermanos. Enzo Fernández e Julian Álvarez, que vinham apagados nesta Copa, voltaram a decidir com chutaços contra Inglaterra e Suíça. Enzo já havia feito algo parecido contra o México, na Copa do Qatar. Enquanto argentinos já marcaram 5 gols de fora da área nesta Copa, espanhóis ainda não converteram nenhum.
noticia por : UOL










