Terceira temporada de 'A Casa do Dragão' testa a atenção do público

“A Casa do Dragão” voltou ao ar no fim de junho com uma terceira temporada que promete —nos quatro episódios iniciais— mais emoção do que a anterior. O problema é que a anterior terminou há dois anos, a lista de personagens é imensa, os laços familiares no roteiro são intrincados e o espectador que não se graduou na obra de George R. R. Martin é deixado à deriva para se lembrar da trama.

Um resumo: Rhaenyra Targaryen (Emma D’Arcy), exilada, está empenhada em formar seu exército de pilotos de dragões e avançar com o plano de tomar a coroa que lhe foi tirada por seus meio-irmãos, o rei Aegon (Tom Glynn-Carney) e o sádico príncipe Aemond (Ewan Mitchell). Os dois são filhos de seu pai, ora morto, e sua melhor amiga, Alicent (Olivia Cooke), que pode lhe facilitar a tomada do trono.

São as idas e vindas da fé de Rhaenyra em Alicent que movem a trama, sobretudo nesta temporada, em que personagens antes importantes são reduzidos ou mesmo eliminados.

Aegon, que se colocava como antagonista, está relegado a uma espécie de alívio cômico nas mãos do calculista lorde Larys (Matthew Needham). O ambicioso Daemon (Matt Smith), o tio e marido com quem Rhaenyra tem uma cumplicidade hesitante, virou quase um esposo-troféu.

A promessa de emoção vem da batalha aguardada no final da terceira temporada, em alto-mar, entre os piratas da Triarquia e lorde Corlys (Steve Toussaint), aliado de Rhaenyra. Faz jus aos melhores momentos de batalha de “Game of Thrones”, a obra máxima do universo de Martin.

Mas “A Casa do Dragão” segue um caminho mais mudano e menos fantástico que a predecessora, apesar dos dragões, e esta é uma escolha que nos aproxima de sua protagonista.

Uma vez no trono, a rainha precisa lidar com problemas como alimentar a população, equilibrar as contas do governo (o Tesouro foi rapelado pelos antecessores), formar um gabinete quando lealdade e competência estão em falta. E, numa piscadela para o público feminino, ainda tem de ser mãe, às voltas com um filho petulante e a necessidade de preparar um novo herdeiro.

Relações familiares, tema subjacente em “Game of Thrones”, em “A Casa do Dragão” tomam o primeiro plano, e não só para compor as intrigas palacianas. Elas são vitais para humanizar e mover seus personagens. É de um desses momentos, por exemplo, que surge uma nova fissura, entre Rhaenyra e Corlys, cujos filhos bastardos ele pede que a rainha legitime, e ela se nega a fazê-lo por razões políticas.

A temporada, embora melhor, enfrenta uma queda de audiência em relação à anterior, da ordem de 8% segundo o jornal britânico The Guardian.

O motivo parece estar nos longos hiatos de produção, um balde de gelo para um enredo complexo. Mesmo assim, o showrunner Ryan Condal não deve mudar. Ele já declarou em entrevistas que a quarta e última temporada deve chegar apenas em 2028.

Os sucessos mais recentes do streaming parecem caminhar para uma direção diferente, de temporadas únicas no formato antologia (histórias independentes a cada ano), ou de séries de menos capítulos e roteiros mais intensos. A ver se o épico fantástico resistirá firme a um público cuja atenção é, a cada dia, mais e mais esparsa.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

noticia por : UOL

Facebook
Twitter
WhatsApp
Email