Três décadas após o lançamento da tese de Samuel Huntington, o cenário global confirma que identidades culturais e religiosas superaram as ideologias política no século 21. Fatos como a ascensão da China e conflitos religiosos validam as previsões que marcaram a política internacional.
O que defendia Samuel Huntington sobre o fim da Guerra Fria?
Enquanto muitos acreditavam que a queda da União Soviética traria a vitória definitiva da democracia liberal, Huntington argumentou que os próximos grandes conflitos no mundo não seriam causados por diferenças políticas (como capitalismo versus socialismo), mas sim por choques entre diferentes culturas e religiões. Ele afirmava que a identidade nacional e a fé seriam os motores da política internacional no século 21.
Como a ascensão da China confirma essa teoria?
A China é o maior exemplo de que modernização não significa ‘ocidentalização’. O país tornou-se a segunda maior economia do mundo sem adotar o sistema democrático liberal ou os valores culturais do Ocidente. Huntington previu que civilizações como a sínica ampliariam seu poder mantendo tradições próprias, o que resultaria em um equilíbrio de poder contra a hegemonia dos Estados Unidos.
Qual foi a previsão acertada sobre o mundo islâmico?
Huntington antecipou que o crescimento populacional e a radicalização religiosa em países muçulmanos gerariam instabilidade externa e crises migratórias. Nas últimas décadas, conflitos no Oriente Médio e na Ásia Central provocaram grandes fluxos de refugiados para a Europa, o que reacendeu debates sobre fronteiras e identidade nacional e fortaleceu movimentos nacionalistas no continente europeu.
Por que as alianças em guerras atuais seguem padrões culturais?
O autor criou o conceito de ‘guerras de linha de falha’, onde conflitos locais atraem países vizinhos que compartilham a mesma cultura. Um exemplo moderno é a Guerra na Ucrânia: embora as causas sejam complexas, a dinâmica reproduz afinidades descritas por Huntington, com o Ocidente apoiando Kiev enquanto a Rússia busca proximidade com aliados que desafiam a ordem ocidental, como Irã e China.
Qual é a principal crítica e o legado dessa tese hoje?
Críticos apontam que a teoria simplifica o mundo ao ignorar divisões internas dentro das próprias civilizações. No entanto, o legado incômodo mas persistente do livro é a percepção de que a religião e a cultura moldam o mundo muito mais do que o otimismo liberal dos anos 90 imaginava. Trinta anos depois, o vocabulário de ‘civilização’ voltou ao centro do debate político de Xi Jinping a Narendra Modi.
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noticia por : Gazeta do Povo








