O pronunciamento do prefeito do Dicastério para o Clero, You Heung-sik, não deixa espaço para interpretações: o padre Massimo Biancalani, o sacerdote conhecido pelo acolhimento a imigrantes em sua casa paroquial e na igreja, foi removido do serviço pastoral nas paróquias de Santa Maria Maggiore em Vicofaro e San Niccolò em Ramini, na diocese de Pistoia.
Termina assim, com o pronunciamento da Santa Sé, uma história dolorosa que ocupou as manchetes não apenas locais por quase dez anos e que viu duas paróquias completamente esvaziadas pela atividade fora de controle do sacerdote. Um sacerdote completamente imbuído da ideologia imigratória, que se inspirava diretamente na “Igreja como hospital de campanha” do papa Francisco, e que não apenas ocupou igrejas e paróquias à sua disposição com centenas de clandestinos e requerentes de asilo, mas também favoreceu a criação de verdadeiros redutos de irregularidade social, começando precisamente nas duas paróquias, primeiro em Vicofaro e depois em Ramini.
O processo canônico contra ele, levado adiante primeiro pelo bispo, hoje emérito de Pistoia, Fausto Tardelli, e confirmado por seu sucessor Augusto Mascagna, tornou-se necessário não apenas por causa da situação de profunda irregularidade criada nas duas paróquias, mas também por uma avaliação de conveniência pastoral: o padre Biancalani, de fato, tinha parado completamente de atuar como pároco, forçando os fiéis das paróquias a vagar por outras comunidades em busca dos serviços pastorais mais elementares, como a Missa dominical, as confissões e os velórios.
E isso é confirmado a La Bussola também por Matteo Pomposi, vereador do partido Fratelli d’Italia e líder do comitê de Ramini pela remoção do sacerdote, que escreveu ao Papa Leão XIV e ao prefeito do Dicastério para o Clero: “Mais de uma carta, na verdade”, ele nos explica. “Em Ramini estavam se criando as mesmas condições que levaram à explosão de Vicofaro, culminando com a desocupação feita pela polícia em 2025”.
Os pontos fundamentais da decisão da Santa Sé, de fato, são dois: o acolhimento incontrolável, anárquico e explosivo promovido por Biancalani e a fuga dos fiéis das duas comunidades, por estarem completamente privados da assistência pastoral por parte de seu pároco.
“Uma ideia de acolhimento que atropelou tudo o que encontrou pelo caminho”, explicou Pomposi; “Biancalani ia em direção a Florença para procurar pessoas para levar para a casa paroquial, incomodando os moradores, em uma espiral que, primeiro em Vicofaro e depois em Ramini, tornou-se muito rapidamente um grande transtorno social: dificuldades de integração, tráfico de entorpecentes, e até mesmo um esfaqueamento e um caso de estupro”.
Em Vicofaro, ainda permanece famosa a história de Rita, uma mulher de 80 anos que mora atrás da casa paroquial e que se viu com um ponto de tráfico de drogas diante de casa, com os clandestinos entrando em seu jardim e a importunando. Todos episódios que o padre Biancalani, também pelo fato de a “hospitalidade” ter crescido a ponto de se tornar incontrolável, com mais de 200 clandestinos e requerentes de asilo, não conseguia gerenciar, criando um perigoso reduto de transtorno social.
“Inclusive, os imigrantes pagavam para ter vagas para dormir na igreja, que nesse meio-tempo tinha se tornado um acampamento permanente de clandestinos e desocupados, enquanto a máfia nigeriana logo tomou conta dos pontos de tráfico, que surgiam à sombra do campanário”.
Inaceitável.
Porém, a gestão anárquica e ingovernável de Biancalani criou o segundo grave problema desta história: a fuga dos fiéis: “O padre negligenciou completamente suas funções religiosas e pastorais, prossegue Pomposi. Em Vicofaro, todos foram embora para outro lugar, tanto que ele praticamente celebrava a Missa com cinco ou seis pessoas, que ainda o seguiam, enquanto em Ramini tudo foi destruído, até mesmo o coral paroquial, que era considerado o orgulho da diocese. Tudo cancelado: crismas, primeiras comunhões, atividades pastorais. A comunidade se transferiu em bloco para a paróquia vizinha de San Pierino”.
E ainda permanecerá “fora de casa” por algum tempo, dado que, enquanto em Vicofaro, na Santa Maria Maggiore, o bispo presidiu a missa com o novo pároco “para acompanhar a retomada da caminhada pastoral”, em Ramini a situação ainda precisará de algum tempo antes de voltar à plena normalidade: “Porque Biancalani ainda está aqui na casa paroquial com um número de clandestinos que varia entre os 40 registrados pela Polícia há três meses e os mais de sessenta já contados pelos fiéis nestes dias. Mas, de qualquer forma, ele terá que ir embora em breve”. E não está descartado que, como já aconteceu em Vicofaro, para sair e mandar embora os ocupantes seja necessária a intervenção dos agentes de choque da polícia.
Primeiro em Vicofaro e depois em Ramini, a história de Biancalani foi acompanhada por um embate político acirrado, que viu na linha de frente a Lega [partido político] de Pistoia, com a líder Cinzia Cerdini, e o Fratelli d’Italia com Pomposi. Mas é preciso lembrar que a figura de Biancalani tinha sido bajulada pela esquerda que governa a Toscana. Sua primeira aparição como padre de rua que acolhia clandestinos na paróquia remonta a 2018, ano em que, no Mandela Forum de Florença, Biancalani foi chamado pelos líderes da Região para falar ao público do Encontro dos Direitos Humanos.
Hoje, portanto, Biancalani terá que deixar o quanto antes a última casa paroquial que está praticamente ocupando. É incerto se apresentará um novo recurso ao Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica (teria sessenta dias de prazo) ou se aceitará o cargo no Departamento Missionário da diocese, que o bispo anterior já lhe havia proposto e que ele havia recusado.
Sempre com sua ideia de acolhimento na cabeça e usando o Papa Francisco como escudo: “A decisão do Vaticano é um problema”, declarou ele à La Presse. Aqui se fala de comunidades que acolhem, que seguiram uma ideia pastoral do Papa Francisco. Comunidades expostas a um tema delicado como o da imigração. Esta medida não nos ajuda, nos coloca em dificuldade. Até porque eu não sou mais pároco. Há um sentimento de pesar».
Termina, portanto, com duas comunidades feridas, divididas, privadas dos bens que a Igreja deve lhes dar, uma longa história que, entre o barulho midiático e a ideologia, atropelou tudo o que encontrou em seu caminho, com o sacerdote que «nunca esteve nem aí para o que acontecia, porque seu objetivo era acolher o estrangeiro», concluiu Pomposi.
Um “mandato” que, da forma como foi levado adiante por este sacerdote, foi muito além do mandamento evangélico original, para se tornar um elemento de profunda desobediência eclesiástica e de periculosidade social — o oposto do bem comum que a Igreja historicamente, com suas estruturas e obras, sempre soube construir e oferecer às comunidades.
Mas também uma história que foi alimentada pela ideia equivocada de acolhimento que, por anos, boa parte da Igreja levou adiante, frequentemente em desrespeito às regras mais comuns da boa convivência civil. O padre Biancalani se fortalecia, por exemplo, com o apoio público que o Papa Francisco lhe concedeu em 2020, quando chegou a lhe enviar, por meio do então esmoler, o cardeal Konrad Krajewski, a quantia de 20 mil euros para o seu centro. Fruto de um apoio que o Papa Bergoglio já lhe havia concedido em 2018, convidando-o a seguir em frente com sua ideia de acolhimento. Hoje, daquela ideia de hospital de campanha, levada adiante com a pretensão e a violência de pisotear até mesmo os direitos dos fiéis, não resta muita coisa, a não ser as ruínas de uma ferida que precisará ser costurada com sabedoria pelo bispo e pelos novos párocos.
© 2026 La Nuova Bussola Quotidiana. Publicado com permissão. Original em italiano: Don Biancalani rimosso, fine dell’utopia sinistra dell’ospedale da campo.
noticia por : Gazeta do Povo









