Um novo inquérito realizado em zonas acessíveis de Gaza, revela um quadro nutricional marcado pela desnutrição aguda relativamente baixa entre crianças na população abrangida pelo inquérito.
A avaliação foi realizada entre 31 de maio e 15 de junho de 2026 pelo Grupo Temático de Nutrição do Estado da Palestina, liderado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef.
Desnutrição crónica afeta milhares de crianças
Os dados recolhidos pelo inquérito confirmam níveis de desnutrição aguda baixos entre crianças com menos de cinco anos.
No entanto, a desnutrição crónica entre crianças, a desnutrição materna, a qualidade alimentar muito deficiente e uma carga substancial de doenças na infância continuam a atingir as comunidades mais vulneráveis.
Cerca de 73% das crianças com idades entre seis e 23 meses consumiram alimentos não saudáveis
A publicação indica que a desnutrição crónica afetou 12,2% das crianças com menos de cinco anos, revelando um quadro de crescimento linear comprometido por condições nutricionais e de saúde desfavoráveis.
Alimentação de baixa qualidade
O Unicef sublinha que a coexistência de casos de atraso no crescimento, emagrecimento e excesso de peso na mesma população aponta para uma alimentação de baixa qualidade.
Cerca de 73% das crianças com idades entre seis e 23 meses tinham consumido alimentos não saudáveis no dia anterior ao inquérito. Segundo o Unicef, apenas 22,4% receberam uma dieta mínima aceitável.
Nas duas semanas anteriores à análise, cerca de 37,1% das crianças com menos de cinco anos tinham sofrido de diarreia.
Melhorias verificadas são frágeis e dependem de acesso humanitário sustentado
O relatório verificou ainda casos de desnutrição materna entre meninas e mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 49 anos.
Unicef apela à proteção das crianças
O inquérito Smart é uma metodologia de avaliação nutricional concebida especificamente para proporcionar aos decisores políticos a capacidade de recolher dados fiáveis e precisos sobre a nutrição e a mortalidade.
No entanto, este é representativo apenas das zonas acessíveis. Cerca de 17% da população de Gaza, ou 358 mil pessoas, foi excluída do universo de amostragem devido a constrangimentos de acesso e segurança.
O diretor regional do Unicef para o Oriente Médio e Norte de África, Edouard Beigbeder, destacou que as melhorias verificadas são frágeis e dependem de acesso humanitário sustentado, financiamento adequado e mercados comerciais funcionais.
Sem acesso humanitário sustentado, financiamento adequado e mercados comerciais funcionais, o progresso pode ser revertido em poucos meses e as crianças voltarão a pagar o preço mais alto, alertou o alto responsável.
FONTE : News.UN








