Avalanche no Nepal e no Tibete: por que resgate é mais difícil do que em Brumadinho e muitos corpos podem não ser resgatados


Vídeo mostra momento exato em que tsunami de lama invade ruas e casas no Nepal
Poucas horas após a tragédia que deixou centenas de mortos e desaparecidos no Nepal e no Tibete, equipes de resgate já se mobilizaram dos dois lados da fronteira para o resgate e acolhimento das vítimas.
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A China mandou para a região militares e kits de mais de 30 mil kits de emergência, que incluem tendas, fogões, roupas e outros itens de primeira necessidade para os deslocados. Nepal e Índia emitiram alertas de remoção de moradores de zonas de risco.
Apesar disso, a esperança de encontrar sobreviventes da avalanche é escassa: ao contrário da janela de oportunidade de 72 horas calculdas a partir de terremotos, por exemplo, a expectativa de vida de vítimas de deslizamentos é de menos de 15 minutos, e a maioria dos resgatados com vida são aqueles que se encontram na borda da área do desastre.
Os esforços de buscas devem ser mais extensos e complexos do que os ocorridos em Brumadinho. É muito provável que parte dos corpos não seja retirada ou até mesmo localizada.
Imagens de câmeras de segurança mostram pessoas fugindo enquanto uma avalanche de lama e água destrói prédios em um vale na fronteira entre Nepal e China, em Gyirong , região do Tibete, China
MÍDIA SOCIAL/via REUTERS
O rompimento da barragem da Vale em Minas Gerais, em 2020, foi seguido de uma operação de seis anos, nos quais 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração vistoriados e 268 corpos encontrados, total ou parcialmente. Duas vítimas não tiveram os restos mortais encontrados.
Entenda, a seguir, as dificuldades das buscas no Tibete e no Nepal:
Janela de oportunidade para encontrar sobreviventes praticamente nula
No caso de terremotos, as equipes de resgate trabalham num período de 72 horas após a tragédia quase exclusivamente focados em encontrar sobreviventes. Apesar das dificuldades, vítimas presas em estruturas podem ficar presas em bolsões de ar e até receber água da chuva, a depender das circustâncias, enquanto aguardam a retirada dos escombros.
Essa janela praticamente inexiste em deslizamentos. A grande maioria das vítimas é atingida por uma massa de água, lama e detritos, incluindo carros, árvores e até casas. Poucas estruturas resistem com a vedação intacta, criando as bolhas de ar essencias para a manter pessoas vivas.
Segundo um estudo publicado na revista científica “Jama” que analisou taxas de sobrevivência em avalanches na Suíça entre 1981 e 2020, as vítimas têm uma janela de 10 a 15 minutos antes de sofrer uma asfixia aguda, sendo que a privação crítica de oxigênio se inicia severamente logo após os primeiros 10 minutos.
Registros de sobreviventes após dias são raros e acontecem quase que exclusivamente na periferia do fluxo de detritos. E, mesmo que a pessoa esteja abrigada em um local vedado, a sobrevivência é quase nula se ela estiver a mais de seis metros de profundidade, pela dificuldade das equipes chegarem ao estrato em tempo hábil.
Deslocamento dos corpos e dos pontos de referência
Ao contrário de um terremoto, as vítimas podem se deslocar por quilômetros quando ocorre um deslizamento — além disso, as próprias construções podem ser destruídas e ter seus escombros espalhados, obliterando as referências da área afetada.
O terreno segue instável
As equipes de resgate não deverão iniciar os trabalhos nas regiões mais críticas até que o terreno esteja estabilizado, e os sistemas de alerta, instalados. Isso pode não ocorrer tão cedo.
Enquanto em Brumadinho a área permaneceu relativamente estável após a tragédia, a região do Himalaia onde ocorreu o deslizamento ainda deverá receber chuvas das monções até setembro.
Tipicamente, encostas onde ocorrem deslizamentos perdem vegetação e continuam propensas a novos desmoronamentos.
Além disso, o perímetro da tragédia é tomado por um lamaçal que dificulta o avanço dos profissionais nos primeiros dias após a avalanche.
Destruição das vias de acesso
No caso da avalanche no Nepal e no Tibete, muitas das estradas que levam às cidades e vilarejos atingidos foram arrastadas pela correnteza. Isso impõe um desafio logístico às equipes, que precisam trabalhar com rotas alternativas para estabelecer cadeias de suprimentos.
Dificuldades de escavação
Com o material do deslizamento assentado, a escavação e exploração dos escombros é muito mais difícil do que no caso de um terremoto, por exemplo. Isso torna o trabalho de recuperação dos corpos mais demorado, e os deixa mais expostos à degradação física e à decomposição.
Isso também faz com que, ainda que um corpo seja localizado, seu resgate seja mais difícil ou até mesmo inviável.
Mesmo que as equipes de resgate identifiquem a localização de uma vítima, ela pode estar profundamente presa em lama compactada, cercada por rochas, troncos de árvores e materiais estruturais.
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Fonte: G1

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