Esposa de PM é encontrada morta com arma do marido embaixo do corpo

O policial militar Vinícius Costa Silva foi preso temporariamente na tarde desta segunda-feira (7), um dia após sua mulher ter sido encontrada morta com um tiro na cabeça na casa onde moravam, em Embu das Artes, região metropolitana de São Paulo.

O PM afirmou em depoimento que ela cometeu suicídio, versão contestada pela família da vítima e sobre a qual a Polícia Civil afirma haver “dúvida razoável”. O caso é tratado como morte suspeita.

O advogado Roberto Montanari, que defende o PM, disse à Folha que Vinícius “desde o primeiro momento relatou às autoridades que Larissa tirou a própria vida”.

“Trata-se de uma tragédia profundamente dolorosa, que atingiu de forma irreparável as famílias envolvidas e, sobretudo, o filho do casal”, disse.

Larissa Cruz Morata, 29, estava caída no banheiro da casa quando a polícia chegou ao local, por volta das 11h. A arma do PM estava embaixo do corpo dela e acabou apreendida. Também foram recolhidos o coldre, o carregador, munições e o estojo de um disparo.

Foi Vinícius quem acionou a Polícia Militar. Ele afirmou aos agentes que encontrou a mulher morta ao acordar. O PM disse em depoimento que ele e Larissa haviam conversado sobre o fim do relacionamento horas antes e negou envolvimento na morte.

Segundo ele, a mulher sabia onde a arma era guardada.

A irmã do policial, que esteve no imóvel horas antes, relatou ter presenciado uma discussão entre o casal sobre o fim do relacionamento.

A defesa do policial confirma o teor da conversa, mas diz que Vinicius “jamais praticaria qualquer ato de violência contra Larissa, pois, apesar do término no dia dos fatos, mantinham uma boa relação e tinham em comum o cuidado e o afeto pelo filho, sem qualquer histórico de violência anterior”.

Parentes afirmaram à polícia que Larissa vivia uma fase feliz e não teria motivo para tirar a própria vida. Segundo parentes, ela ligou para a avó entre 8h e 9h e disse que havia terminado o relacionamento e estava arrumando as coisas para deixar a casa com o filho, de 2 anos.

Uma familiar afirmou que era possível ouvir, ao fundo da ligação, sons de outras pessoas dentro da residência.

A defesa de Vinícius afirma que vai apresentar à Justiça conversas anteriores entre Larissa e familiares de Vinicius nas quais ela “manifestava pensamentos relacionados à possibilidade de tirar a própria vida diante de uma eventual ruptura do relacionamento”.

Para o advogado, esse material é relevante para o esclarecimento dos fatos e as mensagens não serão divulgadas neste momento em “respeito à intimidade de Larissa, ao filho do casal e ao trabalho das autoridades responsáveis pela investigação”.

Larissa deixa o filho, que morava com o casal e está sob os cuidados da família materna. O corpo foi enterrado nesta segunda-feira (7), no cemitério Valle dos Reis, em Taboão da Serra.

Bruna Caramacho Crippa, delegada de Embu das Artes, afirma que o delegado de plantão e peritos foram até o local e encontraram Larissa caída no chão com um tiro na cabeça.

Após investigações no local, o PM, a irmã dele e parentes da vítima foram para a delegacia, onde acabaram ouvidos. O caso foi registrado como morte suspeita.

“[Havia] dúvida razoável quanto a se tratar de suicídio, em razão daquilo que foi apurado no local, em razão da perícia técnica e de todos os elementos que foram colhidos pelos investigadores”, diz a delegada.

Segundo ela, a decisão da prisão ocorreu após análise do ferimento no IML (Instituto Médico Legal).

“A perita responsável observou alguns dados curiosos em relação à trajetória desse projétil e a forma como essa mulher veio a óbito”, afirma.

“Somadas a outras razões que colhemos durante as investigações preliminares, a colaboração dele em relação aos fatos e às oitivas que tivemos aqui na delegacia, formei juízo de convicção e decidi representar pela prisão temporária dele.”

A detenção foi cumprida nesta tarde desta segunda-feira com o auxílio da Corregedoria da Polícia Militar e do batalhão em que o policial militar fazia parte.

A Secretaria de Segurança Pública estadual disse que foram requisitados exames periciais nas mãos da vítima e do marido, além de exames balísticos na arma apreendida e análises dos demais vestígios coletados.

*Com informações do UOL  

noticia por : UOL

Facebook
Twitter
WhatsApp
Email