Às vésperas do primeiro turno da eleição, a campanha de Lula (PT) adota discurso de otimismo após a mais recente pesquisa Datafolha e mira os indecisos —que, embora sejam só 2% no levantamento estimulado, chegam a 13% no espontâneo.
Já a campanha de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), passou a usar as decisões judiciais que levaram ao cancelamento do debate da TV Globo nesta quinta-feira (1º) em busca do voto útil de eleitores dos demais candidatos da direita, como “voto de revolta” contra a interferência do Judiciário.
Antes de a emissora cancelar o debate em cima da hora, Flávio havia anunciado que não iria participar do programa após decisão da ministra Ana Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que determinou que a Globo não mostrasse o púlpito vazio de Lula.
Em seguida, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a participação de Renan Santos, o que Flávio também não queria, por temer ser alvo do candidato do Missão.
Lula já havia decidido não comparecer ao debate. No mesmo horário, ele participou de uma entrevista no podcast Flow.
A pesquisa Datafolha desta quinta mostrou Lula somando 45% das intenções em votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, ante 40% de Flávio. Já no segundo turno, em votos totais, há empate técnico: 48% para o presidente e 45% para senador fluminense.
Interlocutores de Lula afirmam que estratégias de campanha, mais do que a polêmica em torno do caso Nossa Senhora Aparecida, têm alavancado o petista na reta final. Ao mesmo tempo, admitem haver uma disputa intensa pelos últimos indecisos e preocupação com abstenção e com um eventual segundo turno.
José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, diz que as ruas mostram uma onda de crescimento. “Neste momento está tendo um processo de decisão de quem estava indeciso. A campanha deste ano foi apolítica. Não se discutiu os problemas do país”, afirma Gabrielli, acrescentando que o protagonismo de escândalos pode ter atrasado a decisão do eleitor.
Outros petistas dizem que Lula pode ter ganhado eleitores ao proibir as bets, mas deve sofrer entre evangélicos e conservadores após a campanha de Flávio ter associado uma fala do presidente sobre “toque” em mulheres a abuso sexual.
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Nesta reta final, a campanha de Lula diz que a parcela do eleitor em disputa é pequena e, por isso, esse eleitorado poderia ir para qualquer um dos lados a depender do estímulo, o que faz os estrategistas medirem cada passo.
Os aliados de Lula ouvidos pela Folha divergem, porém, na estratégia. Parte viu efeito nas mobilizações de rua e no foco da propaganda do PT, nos últimos dias, em explorar escândalos de Flávio, relacionando o adversário à milícia.
Uma ala afirma que a campanha encontrou seu eixo ao colocar luz sobre as suspeitas contra Flávio e que esse esforço vai surtir efeito. Outra diz que a comunicação continua falha, que a estratégia de mirar em Flávio não engajou e que é difícil ter impacto substancial na última hora.
O receio com abstenção, que preocupa mais a campanha de Lula do que a de Flávio, cresceu com a previsão de chuvas no Sudeste no domingo (4) e com a nova escalada da crise no STF, que poderia gerar apatia no eleitor.
Em relação ao segundo turno, há o temor de que Flávio ganhe novos apoios, como o de Cleitinho (Republicanos), favorito para o Governo de Minas Gerais. O avanço de Douglas Ruas (PL) no Rio é outro ponto crítico para Lula.
Flávio, por sua vez, aproveitou o cancelamento do debate para reforçar a estratégia do voto útil. O objetivo é desidratar as intenções de votos de seus adversários na direita, como Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD), para tentar vencer no primeiro turno ou pelo menos ultrapassar o petista na primeira etapa.
O candidato do PL, que já vinha fazendo ataques ao STF e acusando ministros de interferirem no pleito para prejudicá-lo, afirmou que a vítima da vez foi a própria Globo e que ele deixou de comparecer ao debate pois não iria compactuar com censura.
“A censura no seu mais alto grau, transparente e sem vergonha que vocês já viram nos últimos tempos”, disse durante uma live feita para substituir a transmissão do debate.
“Lula não só não vai ao debate como ele usa os seus amigos no Judiciário para impor a censura ao debate da Rede Globo. É muito triste, revoltante, o que está acontecendo”, disse Flávio.
O senador voltou a pedir votos no primeiro turno sob argumento de proteger a democracia. Ele chegou a dizer que o voto nele seria um voto de revolta e de protesto do eleitor. “Me dê seu voto de revolta. Me dê seu voto inteligente já no primeiro turno”, disse.
“Vamos resolver essas eleições agora neste domingo. Se você estava pensando em não votar, se você está pensando que essa eleição não é tão importante, olha a gravidade do que está acontecendo. A única chance de o Brasil voltar a ter uma democracia é com Flávio Bolsonaro presidente. E não vamos parcelar seu voto em duas vezes, vamos votar de uma vez só neste domingo”, completou.
Aliados do senador afirmaram que as atitudes dos ministros do STF demonstram o medo de que Flávio ganhe a eleição. Eles afirmam terem ficado chocados e desanimados com as decisões.
Coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que o Judiciário mostrou parcialidade e preferência por um candidato. “A democracia está em risco, o sistema está com medo”, publicou.
Políticos do centrão afirmam que o cenário segue em aberto, mas veem tendência de que Lula termine na frente no primeiro turno.
noticia por : UOL

