ONU: 1 em cada 4 civis mortos em conflitos no último ano era mulher

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ONU: 1 em cada 4 civis mortos em conflitos no último ano era mulher

Dos mais de 37 mil civis mortos em zonas de conflito no último ano, uma em cada quatro pessoas era do sexo feminino, segundo o novo relatório anual do secretário-geral da ONU sobre Mulheres, Paz e Segurança. O tema está sendo debatido pelo Conselho de Segurança nesta terça-feira, em Nova Iorque.

O aumento da violência reflete um cenário de militarização inédito, o gasto global em defesa atingiu US$ 2,9 trilhões em 2025, registrando alta pelo 11º ano consecutivo.

Violência sexual e pobreza extrema

Segundo o relatório, 750 milhões de mulheres e meninas vivem a menos de 50 km de um conflito ativo, o maior registro desde 1990.

Dentre elas, cerca de 170 milhões estão em situação de extrema pobreza, sobrevivendo com menos de US$ 3 por dia.

UNMISS missão
Mulheres e crianças se reúnem em Poktap, afetado pelo conflito, no estado de Jonglei, no Sudão do Sul.

Entre 2022 e 2025, os casos de violência sexual relacionados a conflitos quase quadruplicaram no Sudão, na República Democrática do Congo e no Haiti.

Para a diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, mais mulheres e meninas vivem em meio a guerras do que em qualquer ponto em décadas, mas a assistência ao desenvolvimento continua caindo em comparação aos gastos militares.

Exclusão nas negociações de paz 

Em 2025, as mulheres representaram apenas 5% dos negociadores em 57 processos de paz no mundo, uma queda em relação aos 7% registrados no ano anterior.

Enquanto orçamentos militares batem recordes, 40% das organizações de mulheres em contextos de crise esperam fechar temporária ou definitivamente devido à falta de financiamento e cortes na ajuda externa.

E já está provado que quando uma mulher participa em acordo de paz, essa mesma paz tem mais chance de durar do que quando somente homens estão à mesa de negociação.

A ONU Mulheres estabeleceu metas para acabar com a impunidade de crimes de gênero e assegurar a participação das mulheres na segurança global, dentre elas a garantia que todas as negociações e processos de paz mediados ou apoiados pela ONU tenham um terço de participação feminina.

A agência também exige que os países do Comitê de Ajuda ao Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, Ocde, destinem pelo menos 15% de seus auxílios para iniciativas voltadas a igualdade de gênero.

FONTE : News.UN