André Mendonça: a esperança terrivelmente improvável do Brasil

“A linha que separa o bem e o mal passa pelo coração de todo ser humano.”
— Aleksandr Solzhenitsyn

De terrivelmente evangélico a terrivelmente covarde, André Mendonça é um personagem terrivelmente confuso no não menos confuso Brasil de 2026. E agora cabe a ele, Mendonça, com seu jeitinho de Tintim (não parece?), dar um jeito nesta zorra. Ou capitular mansamente, acomodando interesses – como é mais provável que aconteça.

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Maldade minha, eu sei. É que acordei cínico. Acontece e o espantoso é que não aconteça com mais frequência. Ainda mais em se tratando de alguém, euzinho, que passa o dia consumindo notícias e mais notícias que às vezes, na verdade quase sempre, parecem não levar a lugar nenhum. Mas daqui a pouco já passa e o otimismo e a ingenuidade intencional voltam, você vai ver só.

Terrivelmente humano

Em dias assim, não me é difícil imaginar Daniel Vorcaro como um Joesley Batista mais bem-apessoado e talvez (estou sendo otimista) capaz de usar os plural corretamente. Quer apostar como daqui a dois anos ele, Vorcaro, estará sendo anunciado como presidente do Banco do Brasil ou ministro da Economia de um país latino-americano cujo nome começa com “B” e não é a Bolívia?

E não. Se isso acontecer, não vou dizer que André Mendonça tenha sido exatamente (e terrivelmente) culpado. Terrivelmente humano, sim. O que já é terrível o bastante… É que, não adianta. Essas coisas têm um jeito todo especial de se acomodar, ainda mais quando não há ninguém capaz de assumir o papel de autoridade moral incontestável nesse processo todo. A não ser que André Mendonça…

Mais santo do que guerreiro

Mas seria uma covardia terrivelmente covarde de minha parte exigir uma coragem terrivelmente corajosa de André Mendonça. Que não conheço pessoalmente (aliás, aguardo o convite), mas que pelo que fez nos últimos anos, assistindo pacientemente aos sucessivos abusos de seus colegas Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, me parece que estamos diante de um simplório e inofensivo burocrata, não de um herói.

E a verdade é que, na situação em que estamos, nunca precisamos tanto de um herói. Um herói que não se assuma como tal, mas ainda assim herói. Um herói mais para santo do que para guerreiro. Um herói que aja com base na sabedoria, e não na esperteza. Um herói que não pegue atalhos, mas que tenha noção do senso de urgência de uma sociedade sedenta por justiça. Esse herói te parece o ministro André Mendonça? Com todo o respeito, pois é.

noticia por : Gazeta do Povo

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