A produção nacional de carne bovina atingiu 11,1 milhões de toneladas no ano passado, um aumento de 7,2% em relação a 2024, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esses números, divulgados nesta quarta-feira (18), levam em consideração o quanto de carne bovina chegou ao mercado via abates fiscalizados por órgãos federais, estaduais ou municipais. Considerados os abates informais, feitos em fazendas e sítios para consumo próprio, o volume chega a 12,3 milhões de toneladas, segundo a consultoria Athenagro.
Ao atingir esse patamar, o Brasil, além de ser o maior exportador, se tornou também o principal produtor mundial de carne bovina no ano passado, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O país chega à liderança mundial na produção antes do previsto, uma vez que o mercado só apostava nessa possibilidade em dois anos. Ganho de produtividade e demandas interna e externa deram suporte a essa evolução.
O Brasil passa a ocupar o lugar dos Estados Unidos, que têm uma série de gargalos na produção, principalmente devido à redução do rebanho para o menor patamar em 75 anos. Outros grandes produtores, como Austrália, também vêm tendo problemas na pecuária bovina.
Os brasileiros terminam 2025 com uma produção certificada de 31,1 milhões de toneladas de carnes bovina, suína e de frango, segundo o IBGE, 5,5% a mais do que no ano anterior. Considerando os abates informais, essa produção supera 33 milhões de toneladas.
A maior oferta dessas três proteínas ocorre tanto pelo aumento do consumo interno como pelas exportações. O consumidor nacional consome 45,5 kg de carne de frango por ano, e o consumo de carne suína subiu para 18,6 kg, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). O de carne bovina está em 30 kg, aponta a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).
O salto dessa evolução da produção veio com um aumento de produtividade. Em 2020, o peso médio da carcaça bovina era de 262 kg por animal, segundo o IBGE. Em setembro, pela primeira vez, atingiu 303 kg, com a produção de carne bovina superando 1 milhão de toneladas em um mês, segundo a consultoria Athenagro. A produtividade da carcaça suína, que era de 90,7 kg em 2020, está em 94,2 kg, e a de frango subiu para 2,1 kg por ave no período, pelos dados do IBGE.
No mercado externo, o país ganhou força principalmente na China. Em 2015, o Brasil vendeu 406 mil toneladas de carnes bovina, suína e de frango para os chineses. No ano passado, foram 2,1 milhões. A carne de frango brasileira teve forte demanda na China no período mais agudo da gripe aviária, e a suína, no período da peste suína africana. A bovina, além de ajudar na retração da oferta das duas anteriores, foi se incorporando cada vez mais no hábito alimentar da população que ascendia de classe.
O abate de gado somou 42,9 milhões de cabeças no ano passado, 8,2% a mais do que em 2024. Esse resultado contrariou as previsões do início do ano passado, quando boa parte do mercado acreditava em queda na oferta. Com oferta maior, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, 21% a mais do que em 2024, de acordo com a Abiec.
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O abate de suínos indica 60,7 milhões de animais, 4,3% acima do de 2024, o que permitiu ao país exportar 1,51 milhão de toneladas dessa proteína, 12% a mais. O abate de frango rendeu 14,3 milhões de toneladas de peso em carcaça e exportações de 5,3 milhões de toneladas, segundo a ABPA.
As receitas obtidas pelo setor no mercado externo com essas três proteínas atingiram o recorde de US$ 31,4 bilhões em 2025. A maior participação do Brasil no mercado externo, atualmente o país é responsável por 11% da produção mundial, trouxe os preços externos, em alta, para dentro do país. A inflação geral foi de 45,6% do início de 2019 ao final de 2025, e a de alimentação, de 76,4%, segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Nesse mesmo período, a carne suína subiu 92%; a bovina, 93%, e a de frango, 94%, segundo o órgão de pesquisa.
O IBGE divulgou também a produção de leite, que subiu para o recorde de 27,5 bilhões de litros, 8,5% a mais do que em 2024. A aquisição de couro foi de 44 milhões de unidades, um volume 3% superior ao do número de animais abatidos com inspeção sanitária. A produção de ovos subiu para 54,4 bilhões de unidades, 5,7% a mais.
noticia por : UOL







