VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT
Investigado pela Polícia Civil por suspeita de envolvimento em um esquema de apostas ilegais, o empresário Wilton Wagner Magalhães, dono da W-Car Multimarcas Eireli, também acumula decisões judiciais que expõem problemas recorrentes na venda de veículos em Mato Grosso.
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Levantamento do
mostra que a empresa foi condenada em diferentes ações por falhas em negociações, principalmente por não quitar financiamentos, atrasar transferências e causar prejuízos a consumidores.
Um dos casos envolve uma cliente que comprou um Toyota Yaris e entregou um HB20 como entrada. A empresa assumiu a quitação de R$ 12.943,98, mas só pagou após decisão judicial, o que levou à negativação do nome da consumidora. A Justiça fixou indenização de R$ 5 mil por danos morais e multa de R$ 2 mil.
Em outro processo, um consumidor teve o nome negativado após a empresa não quitar financiamento assumido. A decisão determinou pagamento de R$ 8.050 por danos materiais e R$ 6 mil por danos morais.
Há ainda casos mais graves, como o de uma cliente que teve o veículo apreendido mesmo após pagar as parcelas. A Justiça reconheceu que ela foi induzida a pagar a um intermediador ligado à empresa e determinou a regularização do financiamento ou devolução de R$ 32.032,50, além de R$ 5 mil por danos morais.
Outro acordo previa pagamento de R$ 4 mil e regularização de multas e transferência, mas também gerou disputa judicial por descumprimento parcial.
Decisões judiciais apontam medidas mais duras, como bloqueio de R$ 6.364,23 para garantir pagamento de dívida. Em outro caso, valores foram bloqueados e liberados ao credor após execução, evidenciando dificuldade no cumprimento espontâneo das obrigações.
As decisões revelam um padrão: consumidores entregam veículos financiados como entrada, com promessa de quitação pela revendedora, mas acabam enfrentando cobranças, negativação e até ações de busca e apreensão.
Também são frequentes reclamações sobre demora ou ausência de transferência, mantendo veículos no nome do antigo dono e gerando riscos.
Nem todas as ações resultaram em condenação. Em alguns casos, a Justiça entendeu que os problemas eram compatíveis com desgaste de veículos usados, como em ações envolvendo uma Chevrolet S10 de R$ 42 mil e um Fiat Uno de R$ 30 mil.
As disputas judiciais, entre sentenças e processos em andamento, somam mais de R$ 400 mil em indenizações, multas e valores bloqueados.
O cenário ocorre paralelamente à investigação da Operação Aposta Perdida. Segundo a Polícia Civil, Wilton Wagner e sua esposa, a influenciadora Jéssica Vasconcelos Magalhães, teriam movimentado valores milionários com divulgação de plataformas ilegais de apostas, usando empresas e bens para ocultar a origem dos recursos. As ações cíveis reforçam um histórico de conflitos com consumidores, parte deles reconhecidos pela Justiça.
FONTE : ReporterMT










