O alto grau de endividamento corrói a sensação de bem-estar do eleitor. Reflete-se no cotidiano das famílias. No aperto, 64% dos entrevistados pelo Datafolha disseram ter reduzido gastos com lazer; 60% passaram a comer menos fora de casa ou trocaram marcas por opções mais baratas. Outros 52% dizem ter diminuído a quantidade de alimentos consumidos em casa.
Na noite de quinta-feira, Lula invadiu os lares brasileiros para trombetear um novo programa de renegociação de dívidas. O Desenrola 2 pode ter o mesmo efeito da primeira versão, lançada em março de 2003. Quem atenuou o problema transformou a limonada em limão na jogatina eletrônica ou simplesmente contraiu novas dívidas. Hoje, pendura-se nos juros do cartão de crédito ou no cheque especial até a conta do supermercado.
Na semana passada, em vídeo exibido no Congresso do PT, Lula declarou: “Nós temos que mostrar com muita clareza uma proposta séria, que seja uma coisa factível, que a gente possa executar. Porque senão a gente fica prometendo e o cara: ‘Por que vocês não fizeram?’.”
No mesmo vídeo, Lula como que menosprezou as redes sociais. Disse que “grupo de Zap é muito importante, mas nada supera a gente ter coragem de pegar um panfleto, andar na rua, bater com a palma no portão das pessoas e olhar no olho das pessoas. É assim que a gente faz política, não é sentado em um sofá fazendo Zap. O Zap é muito importante, mas a gente não vê o olho da pessoa.”
Não é à toa que o bolsonarismo nocauteia os rivais rotineiramente nas redes. Não é lavagem cerebral, mas coerção psicológica. A persuasão por vezes é baseada em desinformação. Que deve ser combatida no ringue digital, não distribuindo panfletos na rua ou no portão das casas.
No mês passado, Lula havia culpado o eleitor pelo endividamento. Declarou o seguinte: “Tudo a gente vai comprando. É R$ 50 ali, R$ 30, R$ 40. Parece que não é nada. Mas, quando chega no final do mês, a somatória dessa quantidade de pouquinhos vira grande. E a gente começa a ficar zangado. ‘Trabalhei o mês inteiro, recebi meu salário e não sobrou nada’. Aí quem vocês xingam? O governo!”
noticia por : UOL








