A dez dias do primeiro turno das eleições, o presidente Lula (PT) registra quatro pontos de vantagem sobre o principal rival, o senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (24).
O dado contrasta com o levantamento realizado a dez dias do primeiro turno de 2022, quando Lula tinha uma dianteira de 14 pontos sobre o então presidente Jair Bolsonaro (PL) e marcou 47% das intenções de voto —o então presidente, 33%.
A margem de erro, nos dois levantamentos do Datafolha, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Há quatro anos, Lula vivia a expectativa de liquidar a eleição já na primeira votação. No cálculo dos votos válidos, que excluem os nulos, em branco e os eleitores indecisos, o petista tinha 50% das intenções, segundo o instituto.
Nas urnas, ele obteve 48,4% dos votos válidos, ante 43,2% de Bolsonaro, e a decisão foi para a segunda rodada. Lula acabaria eleito com 50,9% dos votos válidos, contra 49,1% do rival, com a menor diferença proporcional desde a redemocratização.
O movimento da base de apoiadores do presidente é similar, hoje, ao visto na eleição passada: diante da possibilidade de um eventual segundo turno muito concorrido, eleitores de Lula têm intensificado o apelo pelo voto útil já no próximo dia 4 de outubro.
Nas redes sociais, o apelo é direcionado aos eleitores de Samara (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO), candidatos de esquerda.
pesquisas de 2018
Há oito anos, quando Bolsonaro se elegeu presidente, o quadro a dez dias do primeiro turno era de vantagem e ascensão do então deputado federal do PSL.
O então candidato do PSL se recuperava de uma facada sofrida em um evento de campanha em Juiz de Fora (MG) e liderava o levantamento do Datafolha com 28% das intenções de votos totais, contra 22% de Fernando Haddad (PT), o segundo colocado.
Ciro Gomes (então no PDT) e Geraldo Alckmin (à época no PSDB) estavam tecnicamente empatados no terceiro posto, com 11% e 10%, respectivamente. A margem de erro também era de dois pontos percentuais.
Havia uma diferença importante, no entanto: as pesquisas mostravam Bolsonaro em desvantagem em simulações de segundo turno. Haddad marcava 45% ante 39% do rival —também em intenções de votos totais.
Nas urnas, o então candidato do PSL obteve 46% dos votos válidos na primeira votação, contra 29,3% do petista. Na segunda rodada, se elegeu presidente com 55,1% dos votos válidos.
cenários
Especialistas ouvidos pela Folha avaliam que a chance de esta eleição presidencial terminar no primeiro turno é baixa.
“O ambiente lembra 2018, quando crises como a Lava Jato e o impeachment de Dilma abriram espaço para candidaturas disruptivas. A crise do STF [Supremo Tribunal Federal], hoje, cumpre papel parecido”, diz Renato Dorgan Filho, cientista político e especialista em pesquisas qualitativas e quantitativas.
A comparação do desempenho de Lula em pesquisas eleitorais de 2022 com o de 2026 indica um enfraquecimento das principais bases eleitorais, mas não um quadro de reversão.
Embora reduzida, a força do petista segue residindo nos mais pobres. Entre aqueles que ganham até 2 salários mínimos, Lula marca, hoje, 46% das intenções de voto, contra 32% de Flávio. Na eleição passada, ele tinha 57%, contra 24% de Jair Bolsonaro.
Na faixa de renda de 2 a 5 mínimos, Lula se mantém aquém do principal rival: marcava 36% das intenções de voto na campanha passada ante 43% de Bolsonaro; agora, tem 33% e Flávio, 41%.
Entre mulheres, o atual presidente segue na dianteira: tinha 49% das intenções de voto, e agora tem 42%. Bolsonaro tinha 29%, e Flávio tem 33%.
Já em rejeição, a fotografia também era mais vantajosa para Lula em 2022 do que é em 2026. À época, 39% diziam não votar de jeito nenhum no petista; hoje, o patamar é de 45%, o mesmo de Flávio. Bolsonaro registrava 52% há quatro anos.
Em aprovação de governo, 40% consideram a gestão Lula 3 ruim ou péssima, ante 34% que a qualificam como ótima ou boa. Bolsonaro em 2022 registrou 44% e 32% nessas amostras, respectivamente.
A defesa do voto útil tem ocorrido também na base bolsonarista. “O eleitor tem adiantado para o primeiro turno uma escolha que normalmente só faz no segundo. Isso ocorre mais na direita, onde os candidatos menores já mostram uma pequena queda nas pesquisas, mas não o suficiente para que a eleição termine na primeira votação”, diz Beto Vasques, diretor de relações institucionais do Instituto Democracia em Xeque.
Nesta rodada, o Datafolha ouviu 2.002 eleitores, na terça (22) e na quarta (23), em 125 municípios. O trabalho, encomendado pela Folha e pela TV Globo, está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-00304/2026.
noticia por : UOL









