Marina Colasanti morreu hoje, dia 28 de janeiro, aos 87 anos, em sua casa no Rio de Janeiro. A escritora conta com mais de 70 obras publicadas que visam tanto o público infantil, como o público adulto.
Ela nasceu na cidade de Asmara, capital da Eritreia, quando o país africano ainda era uma colônia da Itália, em 1937. Mais tarde, mudou-se para o Brasil, onde começou sua carreira realizando entrevistas, escrevendo para periódicos, e apresentou alguns programas televisivos.
Foi uma escritora marcante para a literatura brasileira, com personagens femininos fortes, características do realismo fantástico e amplitude de gêneros produzidos, com poesias, contos, crônicas e, também, livros infantis.
Veja a biografia completa de Marina Colasanti.
Principais obras de Marina Colasanti
Marina Colasanti teve muitas obras relevantes ao longo da sua trajetória profissional, inclusive já recebeu o prêmio Jabuti 6 vezes. Algumas de suas principais obras são:
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Eu sozinha
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A morada do ser
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Ofélia, a ovelha
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Fragatas para terras distantes
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Mais de 100 histórias maravilhosas
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Mais classificados e nem tanto
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Temas mais recorrentes na obra de Marina Colasanti
As obras de Marina Colasanti são muito diversas, mas há características e temas que aparecem com certa frequência em seus livros. O uso realismo fantástico, as referências a contos de fadas, o protagonismo feminino e críticas sociais a partir de análises do cotidiano são algumas de suas marcas.
Ela também faz críticas ao individualismo e, por também ser poeta, sabia utilizar muito bem frases curtas para passar ideias complexas. Seus textos conversam com outras produções, reforçando a sua intertextualidade. Suas obras abordam muito o universo feminino e trazem uma linguagem lírica.
Veja o poema “Lá fora, a noite” como exemplo:
É quando a família dorme
— inertes as mãos nas dobras dos lençóis
pesados os corpos sob a viva mortalha —
que a mulher se exerce.
Na casa quieta
onde ninguém lhe cobra
ninguém lhe exige
ninguém lhe pede
nada
caminha enfim rainha
nos cômodos vazios
demora-se no escuro.
E descalços os pés
aberta a blusa
pode entregar-se
plácida
ao silêncio.”
Por Tiago Vechi
Jornalista
noticia por : UOL