Mineradora australiana de terras raras busca investimento nos EUA para competir com China

A maior mineradora de terras raras fora da China está levantando mais de US$ 500 milhões para expandir suas operações e adquirir participações em fabricantes de ímãs nos Estados Unidos, em um movimento alinhado aos esforços de governos ocidentais para conter a influência de Pequim no fornecimento global de minerais críticos.

A australiana Lynas, que tem minas na Austrália Ocidental e uma refinaria na Malásia, anunciou na quinta-feira (28) que está captando o equivalente a US$ 538 milhões em ações para aumentar seus estoques e capacidade, além de investir em fabricantes de ímãs na Malásia e nos EUA, nas etapas posteriores da cadeia de produção.

As terras raras são usadas na produção de ímãs empregados em sistemas de armas, carros elétricos, equipamentos médicos e até em quadros de bicicletas.

“Queremos poder participar, seja de forma operacional, de fornecimento ou de participação acionária, nessa parte da cadeia de suprimentos”, disse Amanda Lacaze, presidente-executiva da Lynas, em teleconferência com investidores na quinta.

O governo dos Estados Unidos vem pressionando para ampliar a capacidade de mineração de terras raras e reduzir a dependência da China. No mês passado, Washington comprou uma participação na MP Materials, sediada em Las Vegas. A empresa chegou a negociar uma fusão com a Lynas que fracassou no ano passado.

O governo norte-americano também estabeleceu um preço mínimo de dez anos para terras raras de quase o dobro da cotação atual de mercado. Lacaze afirmou que a Lynas mantém negociações com os governos dos EUA, da Austrália e do Japão sobre pisos de preço e medidas semelhantes para ajudar a desenvolver uma cadeia de suprimentos de terras raras fora da China.

A Lynas já é a maior mineradora de terras raras fora da China, tendo recebido financiamento japonês na última década para estruturar uma cadeia de fornecimento de terras raras “leves”, usadas na fabricação de ímãs e smartphones.

A empresa também conta com o apoio da bilionária australiana da mineração Gina Rinehart e, no último ano, expandiu suas operações para o processamento de terras raras “pesadas”, igualmente necessárias para ímãs, mas menos abundantes.

“A Lynas quebrou o monopólio chinês sobre as leves em 2013. Neste ano, em 2025, quebramos o monopólio chinês sobre as pesadas”, disse Lacaze.

A executiva advertiu, no entanto, que ainda existe “incerteza significativa” em relação ao futuro do projeto Seadrift, que prevê a construção de uma instalação de terras raras no Texas com apoio do Departamento de Defesa dos EUA, devido a dificuldades com contratos de fornecimento.

A Lynas registrou lucro líquido de 8 milhões de dólares australianos (R$ 28,4 milhões) no ano fiscal encerrado em 30 de junho, uma queda em relação aos 84,5 milhões de dólares australianos (R$ 300 milhões) do ano anterior, em razão de problemas de produção e custos de expansão. A receita, por sua vez, cresceu 20%, chegando a 556 milhões de dólares australianos (R$ 2 bilhões).

A captação será realizada por meio de uma oferta totalmente garantida de novas ações, além de um plano adicional de compra de ações no valor de 75 milhões de dólares australianos (R$ 266,3 milhões) voltado a acionistas atuais.

noticia por : UOL

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