Mortes: Foi músico, publicitário e designer gráfico autodidata

Marcelo Lyra David era uma pessoa introspectiva, daquelas que não costumam se abrir facilmente em um primeiro contato. No entanto, bastava fazer amizade para se transformar, esbanjando paciência e generosidade com todos ao seu redor.

Os amigos contam que ele era aquele tipo de gente boa que dá carona para todos depois da vigésima saideira no último bar aberto do centro, não importando o endereço, fosse extremo leste ou sul da cidade. E sempre no seu Passat vinho.

“Não tinha essa do ‘não é meu caminho’. Todos os caminhos eram do Marcelão. E quantas vezes não esticamos com toda turma de amigos da faculdade em seu Passat para o litoral, dormimos na areia da praia, vimos o sol nascer. Na praia da Baleia ou em Maranduba. O assunto nunca acabava com ele”, lembra o amigo Peri Pane, 50, que conheceu Marcelo na faculdade de jornalismo da PUC-SP, no início dos anos 1990.

Peri conta que bastou ver Marcelo tocando Jaco Pastorius no seu Fender Jazzbass para tê-lo como ídolo. “Não era para qualquer um. Ele era um baixista de mão cheia. Na época, e nos anos seguintes, meu interesse estava mais voltado para a música do que para o jornalismo. Ele partilhava da mesma paixão. Foi meu professor de música por algumas semanas até nos tornarmos amigos. Começamos a tocar juntos, chegamos até fazer um conjunto na faculdade com outro colega, o André Rizek”, conta Pane.

Marcelo Lyra nasceu em São Paulo em 1965, filho de João Sergio e Cecília. Ele era o segundo filho, atrás de Sergio Lyra, também músico, e antes de Márcio e Marcos. Depois seu pai teve Maurício, Bruno e Débora em outros relacionamentos.

A paixão pela música surgiu ainda na adolescência, no início dos anos 1980, quando Marcelo e Sergio estudavam no colégio Equipe. Marcelo começou tocando baixo elétrico e depois contrabaixo.

Depois da faculdade de jornalismo, ainda cursou publicidade e passou a atuar na área nos anos seguintes, sem nunca deixar de tocar. E, por fim, de forma autodidata, aprendeu a profissão de designer gráfico e passou a se dedicar a ela.

Um dos seus trabalhos foi criar o projeto gráfico do álbum de estreia da banda Odegrau —”O Fantasma da Light”—, da qual ele e Peri faziam parte.

Com o irmão Sergio Lyra, Marcelo montou uma banda de salsa entre 2008 e 2016 e tocou em festivais como o Paraty Latino e o Projeto Memorial da América Latina, com Jair Rodrigues.

Nos últimos anos, porém, ele passou a se dedicar mais aos projetos de design gráfico e aproveitou para curtir a casa da mãe em Ubatuba, no litoral norte paulista.

“O Marcelo nunca foi uma pessoa expansiva, mas sempre alcançou muita gente. Tinha um humor um pouco sarcástico, com piadas inteligentes sucintas”, lembra Sergio, que mora na França e foi o último a falar com o irmão no dia em que ele morreu.

Marcelo Lyra David morreu em casa no dia 11 de junho, aos 59 anos, de edema pulmonar. Ele deixa os seis irmãos, sobrinhos e amigos.

“Marcelão sempre foi muito na dele e ao mesmo tempo muito envolvente e cativante com todas as pessoas ao seu redor. Quero lembrar dele ouvindo as suas mix tapes em K-7 do Tim Maia e do Jorge Ben, no seu Passat, falando das proezas do baixista Luisão Maia (como eu, ele também era doente pela ficha técnica dos discos), de como ele ‘pegava no breu'”, diz Peri.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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noticia por : UOL

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