Ortopedista alerta para os riscos da automedicação e do diagnóstico tardio: "Dor é alarme"

ANA CRISTINA VIEIRA

DO CONEXÃO PODER

O hábito de buscar auxílio médico apenas quando o corpo atinge o limite da exaustão ou da dor tem preocupado especialistas. Em entrevista ao , o médico ortopedista Fellipe Valle destacou que a ortopedia contemporânea ainda é predominantemente “reativa”, o que compromete a eficácia de tratamentos que poderiam ser preventivos.

Segundo o especialista, a demora em procurar ajuda profissional faz com que muitos pacientes cheguem ao consultório com quadros irreversíveis.

“A ortopedia hoje ela é reativa, ou seja, você sentiu uma dor, teve um problema, vai e procura, e faz a avaliação. E nessa avaliação, às vezes, o que se tem já é uma lesão instalada, já é uma lesão que já aconteceu”, explica Valle.

O médico comparou a dor com um sensor de segurança. Para ele, ignorar o incômodo inicial através da automedicação é um erro estratégico que pode custar a mobilidade do paciente.

“A dor ela é feita para nos avisar, então a gente pensar que um início de uma lesão ou uma alteração é um princípio de incêndio, a dor seria o alarme”, afirmou.

O problema central, segundo Valle, é o hábito de silenciar esse aviso sem investigar a causa.

“O que que nós fazemos, nós vamos lá apenas e desconectamos tomando medicação, tomando um analgésico, anti-inflamatório, muitas vezes se automedicando e só desligando o alarme, sem se preocupar com o princípio de incêndio”, observou.

Embora a tecnologia médica tenha avançado significativamente, o ortopedista faz um alerta sobre as limitações de ferramentas atuais, como a medicina regenerativa, quando o dano já é severo.

Apesar de ferramentas modernas, como a medicina regenerativa, nós sabemos que nós conseguimos equilibrar, evitar a progressão, mas reverter, em muitos casos, é impossível, pontuou.

De acordo com o médico, o ciclo comum de muitos pacientes envolve tentar resolver o problema por conta própria e só recorrer ao especialista quando a dor se torna “alucinante” e os remédios caseiros já não surtem efeito.

O resultado é um quadro clínico muito mais complexo. “O que acontece é esse incêndio ir tomando o corpo, aumentando. A hora que nós vamos olhar para ele, ele já está bem maior do que deveria”, reforçou.

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FONTE : ReporterMT

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