Petrobras amplia produção de Búzios em meio a superoferta global

A Petrobras está acelerando a produção no maior campo de águas profundas do mundo, enquanto os preços do petróleo bruto se mantêm próximos da mínima dos últimos cinco anos e o mercado global se prepara para uma superoferta.

A produção da estatal no campo de Búzios, na costa do Rio de Janeiro, atingiu um milhão de barris por dia no mês passado, após a sexta unidade flutuante de produção no local alcançar sua capacidade máxima três meses antes do previsto.

O campo, parte da bacia do pré-sal que, há 18 anos, transformou o Brasil em uma das regiões petrolíferas mais promissoras do mundo, é agora o último grande motor de crescimento da Petrobras. Seu rápido desenvolvimento permitiu que o país aumentasse a produção mais do que qualquer outro país não pertencente à OPEP, com exceção dos Estados Unidos no último ano, e proporcionou à Petrobras uma fonte crucial de receita em sua busca pela próxima grande descoberta.

O aporte de petróleo bruto de Búzios ocorre em um momento em que os futuros da commodity caíram 15% este ano, devido ao aumento da produção da OPEP e seus aliados, o que alimenta preocupações de que o mercado em breve estará inundado de petróleo bruto. O presidente da Mercuria, gigante do setor de commodities, afirmou em uma conferência em Abu Dhabi, na quarta-feira (5), que o excesso de oferta provavelmente chegará a 2 milhões de barris por dia no próximo ano.

Quando a Petrobras divulgar seus resultados do terceiro trimestre nesta quinta-feira (6), analistas vão esperar que as exportações recordes da empresa limitem o impacto dos baixos preços do petróleo e dos maiores investimentos em infraestrutura sobre seus lucros. A expectativa é de que a empresa anuncie US$ 2,2 bilhões em dividendos, segundo a média de seis projeções analisadas pela Bloomberg.

No campo de Búzios, a FPSO Almirante Tamandaré atingiu a produção de 225 mil barris por dia antes do previsto em agosto, contribuindo para que as exportações atingissem um recorde. Na semana passada, a produção chegou a 270 mil barris por dia, superando o pico esperado.

As expectativas para Búzios eram altíssimas desde o início. A Petrobras e seus parceiros chineses pagaram um valor recorde de R$ 68 bilhões, assinando um bônus pelo campo quando ele foi oferecido em 2019.

A SBM Offshore opera a Almirante Tamandaré e outras oito FPSOs no Brasil. A fornecedora de equipamentos offshore concorre a um contrato para construir aquela que será a 12ª FPSO a ser instalada em Búzios, o que poderá elevar a produção para quase 2 milhões de barris por dia, mais do que a produção atual de qualquer outro país da América Latina.

“O maior mercado está aqui no Brasil”, disse Øivind Tangen, CEO da SBM, em entrevista. “Metade das perspectivas que vemos para o futuro próximo estão no Brasil.”

Búzios continuará a fazer do Brasil uma das principais fontes de crescimento da produção de petróleo fora da OPEP, contribuindo potencialmente para ampliar o excedente. Outra embarcação está no local, preparando-se para iniciar a produção. A geologia da chamada região do pré-sal tornou o Brasil o principal fornecedor de petróleo da América Latina. Poços individuais no pré-sal já atingiram produção de até 70 mil barris por dia.

“É uma aberração da natureza”, disse Olivier Bahabanian, diretor geral da TotalEnergies para o Brasil, durante uma conferência sobre petróleo no Rio de Janeiro na semana passada.

Uma hora de helicóptero leva você da costa do estado do Rio de Janeiro até Búzios, que parece uma cidade industrial flutuando no Oceano Atlântico. Os seis navios de produção no local abrigam centenas de engenheiros e técnicos. Hotéis flutuantes estão atracados ao lado de alguns deles.

Ao contrário dos campos de xisto dos Estados Unidos, onde os produtores podem reduzir a produção quando os preços caem, o pré-sal é basicamente imune às flutuações do mercado. Cada unidade de produção, conhecida como FPSO, custa cerca de US$ 4 bilhões e leva anos para ser construída. Operadoras como Petrobras se esforçam para recuperar os custos o mais rápido possível, independentemente do preço.

Embora Búzios esteja crescendo rapidamente, o tempo está se esgotando para a Petrobras encontrar novas reservas. A produção de Búzios começará a declinar perto do final da década, reduzindo a produção total da empresa, a menos que encontre mais petróleo.

“Uma empresa petrolífera não tem futuro sem exploração”, disse a CEO Magda Chambriard em uma conferência sobre petróleo no Rio de Janeiro na semana passada. “Repor nossas reservas é vital.”

noticia por : UOL

Facebook
Twitter
WhatsApp
Email