Em uma operação que expõe as entranhas do crime organizado, a Polícia Federal (PF) desmantelou uma quadrilha que desviou quase R$ 40 milhões do programa Farmácia Popular, um recurso que deveria beneficiar a população brasileira. A investigação, que ganhou destaque no Fantástico, revelou que o dinheiro desviado alimentava o tráfico de cocaína em países vizinhos, como Bolívia e Peru.
O esquema fraudulento utilizava farmácias de fachada, CPFs de pessoas inocentes e empresas fantasmas para desviar os recursos. A apuração teve início após a apreensão de 191 quilos de drogas em Luziânia (GO), que levou à prisão de um caminhoneiro e de Clayton Soares da Silva, empresário do ramo farmacêutico.
A análise do celular de Clayton foi a chave para a PF desvendar o esquema, chegando a Fernando Batista da Silva, o “Fernando Piolho”, apontado como líder da organização. Fernando, segundo a PF, usava o nome da filha para abrir empresas e movimentar os recursos ilicitamente. A empresa Construarte, ligada a Fernando, teria recebido mais de R$ 500 mil de investigados por tráfico.
Conexão com o Comando Vermelho e o tráfico internacional
A investigação revelou ainda ligações perigosas entre o grupo e o Comando Vermelho, além de repasses a pessoas na fronteira com o Peru e a Bolívia. Uma das beneficiárias seria esposa de um integrante do Clã Cisneros, organização criminosa peruana especializada em laboratórios de cocaína. É um verdadeiro escândalo!
As fraudes eram tão descaradas que farmácias fantasmas foram registradas em lotes vazios. Uma delas, em Águas Lindas (GO), teria recebido R$ 329 mil. Em Campo Belo (MG), uma drogaria foi registrada em nome de Francisca Ferreira de Souza, uma empregada doméstica que, inacreditavelmente, consta como proprietária de cinco farmácias em diferentes estados. Ela vive em Luziânia e é casada com Brazilino Inácio dos Santos, investigado como sócio de dez empresas que movimentaram R$ 2,5 milhões entre 2018 e 2019.
“Essa organização criminosa utilizou o programa Farmácia Popular para fazer a lavagem desses recursos. Posteriormente, ela passou a utilizar esse programa social para investir no próprio tráfico de drogas” – afirmou José Roberto Peres, superintendente da PF no Distrito Federal, em entrevista.
Rafael Bruxellas Parra, diretor do Departamento Nacional de Auditoria do SUS, revelou que são combatidas diariamente cerca de 140 mil tentativas de fraudes no Farmácia Popular. Um dentista de Sumaré (SP) descobriu que seu CPF havia sido usado para registrar a retirada de até 20 caixas de insulina por mês, sem que ele tivesse qualquer problema de saúde. Até onde isso vai?
As investigações continuam, e espero que todos os envolvidos sejam identificados e responsabilizados. É inaceitável que recursos destinados à saúde da população sejam desviados para financiar o crime organizado.






