Agência Senado
Carlos Viana: estamos cumprindo com o nosso dever
DA AGÊNCIA CÂMARA
O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga desvios bilionários no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana (Podemos-MG), subiu o tom contra a possibilidade de encerramento precoce do colegiado.
Viana ingressou com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir mais 60 dias de fôlego às investigações, alertando que a interrupção dos trabalhos agora seria uma “covardia” com o contribuinte.
“Se a CPMI não for prorrogada, quem vai perder será o Brasil. Eu tenho a consciência tranquila de que nós estamos cumprindo com o nosso dever, não estamos sendo omissos, muito menos covardes”, disparou o parlamentar.
Segundo Viana, o esquema sob apuração figura entre os episódios de corrupção “mais cruéis de toda a história da República”, dado o impacto direto na vida de aposentados e pensionistas.
Blindagem de provas e “filtro” em vídeos íntimos
Um dos pontos centrais da atual fase da investigação envolve o material apreendido no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O senador manifestou apoio à decisão do ministro do STF, André Mendonça, que restringiu o acesso a conteúdos de “foro íntimo” — que incluiriam vídeos de autoridades e políticos em situações privadas — para evitar vazamentos que possam anular o processo.
“As informações de foro íntimo do senhor Vorcaro com quem quer que seja não interessam à investigação. Isso somente prejudica o nosso trabalho. O que interessa a nós é o esclarecimento de onde foi parar o dinheiro roubado dos brasileiros”, explicou Viana.
A estratégia é utilizar a advocacia do Senado para filtrar os dados e focar exclusivamente nas conexões financeiras ilícitas com entes da República.
Mira em bancos e no Banco Central
A CPMI também pretende abrir uma nova frente de colaboração com grandes instituições financeiras, como Crefisa, BMG e C6, para entender como o sistema era utilizado para aplicar taxas abusivas em idosos.
Além disso, Viana confirmou o interesse em realizar uma acareação técnica entre o atual e o ex-presidente do Banco Central (BC) para explicar as falhas de fiscalização da autarquia.
Sobre as suspeitas envolvendo instituições religiosas, o senador foi direto ao negar qualquer “blindagem” ao pastor André Valadão, da Igreja Lagoinha.
“Seis igrejas apareceram nas investigações. Três delas tinham indícios de lavagem de dinheiro e todas tiveram o sigilo quebrado. No caso da Lagoinha, pessoas investigadas fizeram contribuições, mas não há, até o momento, prova de que a igreja tenha recebido dinheiro direto do INSS”, concluiu.
FONTE : ReporterMT






