Foi ripa na chulipa. Com uma canetada certeira, o grande, douto, preclaro, egrégio, insigne, excelso, augusto e colendo ministro Flávio Dino acabou com uma entre tantas excrescências do Judiciário: a aposentadoria compulsória, integral e relaxante para juízes condenados por malfeitos. Tinha isso? Ah, se tinha. O cara vendia sentença e ia refletir na rede. Ê, Brasil!
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A notícia é boa, mas também é ruim e eu vou explicar por quê. Mas antes me permita dizer que, dias antes, Dino já tinha posto fim aos penduricalhos do Judiciário. Uma notícia que meio que se perdeu entre os escândalos envolvendo o STF e o banqueiro Daniel Vorcaro. Mas que foi tomada, assinada, carimbada, publicada e, dizem, efetivada. Comemoremos, pois.
Reais, dólares e euros
Agora sim. Dizia eu que o fim da aposentadoria compulsória para juízes bandidos tem seu lado ruim e tem. É que essa punição – e era mesmo uma punição – foi criada para um tempo em que o trabalho do juiz era visto como uma vocação e a honra importava. Ser impedido de fazer justiça diariamente, pois, era de fato um castigo. Para você ver como as coisas mudaram para pior.
Já os salários altíssimos em razão dos penduricalhos… para isso não há desculpa, não. E, de novo, é sinal de um tempo, o nosso, em que o valor do homem é medido em reais, dólares e euros. Mas não quero me deter nisso porque sei que tem gente me confundindo com um saudosista. Coisa que não sou, me recuso a ser. Embora às vezes esteja.
Caçador de marajás
Diante disso, me pergunto se sou (se somos) obrigado a elogiar Flávio Dino. A gostar de Flávio Dino. O mesmo Flávio Dino que outro dia mesmo queria botar na prisão quem o chamou de “███████” e que, indiretamente, acabou de destruir um dos pilares da democracia, a liberdade de imprensa, ao pedir uma ajudinha ao seu amigo de Corte num caso envolvendo carros oficiais no Maranhão. Ficaram sabendo dessa palhaçada?
Pois então. Dino quer parecer virtuoso. Quer posar de moralizador do Judiciário. Mas só das instâncias inferiores, claro. Quer ser o novo caçador de marajás – ah, a história que se repete como farsa… Será que com essas medidas corretas (e ninguém está dizendo que não são corretas, boas e necessárias) ele acha que estará limpando a barra do STF e de seus camaradas de toga? Talvez.
Em todo caso, fica aqui o meu obrigado, Dino. Mas o senhor não fez mais do que a sua obrigação.
noticia por : Gazeta do Povo








