A crise de confiança que assola o Supremo Tribunal Federal (STF) traz à tona um fato: o saber jurídico não é suficiente para fazer frente a circunstâncias de natureza política. É o que se depreende do desnorteio dos ministros na busca por uma porta de saída no labirinto em que se encontram.
Divergem na leitura da cena, não se entendem sobre as razões da erosão de imagem, dividem-se na escolha das maneiras de reagir. A alguns parece que seja melhor apostar no espírito de corpo, na esperança de que o tempo do esquecimento dê seu jeito. Em outros prevalece a visão realista de que a solução reside na correção de condutas.
Isso no ambiente interno do tribunal, porque fora dele há a percepção de que a situação exige atitude radical: o afastamento dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Se não for agora por pedido voluntário de licença ou aposentadoria antecipada, acabará sendo por clamor pelo impeachment de ambos.
Talvez não agora, quando a barreira de contenção conta com a parceria do também enrolado presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil), nos enroscos do Amapá com o banco Master. Isso pode mudar se confirmada a alteração da correlação de forças no Senado a partir das urnas de 4 de outubro.
A eleição dos senadores estará decidida no primeiro turno, distante três semanas do resultado da disputa presidencial. A se confirmar a expectativa de que a hoje oposição faça maioria no Senado, é provável que o finalista oponente do PT seja levado a adotar a bandeira da solução externa. Vale dizer, o impeachment, caso não tenham sido tomadas providências internas.
No início de fevereiro de 2027, essa maioria escolherá o novo presidente da Casa, responsável por dar andamento a qualquer um dos inúmeros pedidos que impedimento já apresentados. Basta um para dar cumprimento àquela promessa de campanha.
O obstáculo de agora pode ser removido tanto se contemplar Flávio Bolsonaro (PL) quanto se conferir primazia ao candidato da chamada terceira via.
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noticia por : UOL









