Vanessa Moreno/Repórter MT
Segundo o conselheiro, as duas cidades enfrentam um contraste desfavorável em relação a municípios do norte e sul do estado, que apresentam melhor infraestrutura e desenvolvimento
Vanessa Moreno/Repórter MT
Segundo o conselheiro, as duas cidades enfrentam um contraste desfavorável em relação a municípios do norte e sul do estado, que apresentam melhor infraestrutura e desenvolvimento
LUÍZA VIEIRA
VANESSA MORENO
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE), Sérgio Ricardo, afirmou que Cuiabá e Várzea Grande tendem a ficar cada vez mais pobres ao longo do tempo, caso as futuras gestões estaduais não adotem uma postura mais estadista. Segundo o conselheiro, as duas cidades enfrentam um contraste desfavorável em relação a municípios do Norte e Sul do estado, que apresentam melhor infraestrutura e desenvolvimento. A declaração foi feita durante evento na Corte para apresentação do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Cuiabá, realizado nessa semana.
“Cuiabá e Várzea Grande serão cada vez mais grutões de pobreza. Cuiabá e Várzea Grande serão cada vez mais centros de abandono e de miséria. Hoje, Cuiabá e Várzea Grande, boa parte da periferia já é. Nós temos 80 favelas em Cuiabá e Várzea Grande, isso só vai aumentar, então a situação só vai piorar”, declarou o presidente ao afirmar que a tendência é de que a situação piore se uma mudança não for estabelecida.
No garimpo, os “grutões” são áreas de escavação profunda ou vãos naturais em terrenos acidentados onde se busca ouro ou pedras preciosas. Na história de Mato Grosso, muitos garimpos famosos começaram em grutões de serras.
“O desenvolvimento está indo para o sul, médio-norte, norte. Quando se chega em uma cidade como Lucas, Sorriso e Sinop você fala ‘não é possível que nós temos o interior assim e Cuiabá a Várzea Grande na miséria como vemos hoje’”, apontou ao questionar as diferenças entre os investimentos feitos em municípios do interior.
Ele acrescentou que o TCE está desenvolvendo um plano de metas para até 2050 a fim de orientar as próximas gestões à frente do Palácio Paiaguás a adotarem políticas que incluam as cidades em programas voltados ao desenvolvimento. O cenário, segundo ele, é resultado de administrações que não pensaram o crescimento urbano a longo prazo.
“Há necessidade de se repensar muito Cuiabá e Várzea Grande. Por isso que um dos focos do nosso plano de metas que o tribunal está desenhando para as próximas gestões. (…) Há décadas que não há plano de Estado para o desenvolvimento de Mato Grosso. Há plano de governo e cada governo segue aquilo que acha importante”, pontuou.
Em seguida, reforçou: “O grande problema de não ter governos estadistas é que o pobre fica mais pobre, a pobreza aumenta, basta ver o bolsão que é Cuiabá e Várzea Grande”.
O conselheiro também criticou o abandono do Centro Histórico de Cuiabá, destacando o fechamento de comércios e a redução da circulação de pessoas, cenário que contrasta com o passado. Ele ainda ironizou o título de cidade industrial de Várzea Grande, afirmando que o município já não mantém sequer a produção ceramista de tijolos e telhas de anos anteriores.
“O centro de Cuiabá só vai se tornar pior se não se tomar uma atitude. É a área mais linda de Cuiabá, a área histórica. Eu quando cheguei aqui, o centro era cheio de lojas, movimentado, eu vivi ali, era lotado. Hoje estão vazios, o que significa que empresas fecharam, empregos deixaram de ser gerados”.
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FONTE : ReporterMT










