O Brasil detém reservas gigantescas de terras raras e nióbio, essenciais para a tecnologia global. O país enfrenta o desafio de deixar de ser apenas um exportador de minério bruto para se tornar um protagonista industrial na transição energética e na tecnologia de ponta.
O que são terras raras e por que elas são tão valiosas hoje?
Terras raras são um grupo de minerais fundamentais para fabricar produtos modernos, como motores de carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e até sistemas de defesa avançados. Embora não sejam exatamente raros na natureza, é muito difícil encontrar lugares onde eles estejam concentrados o suficiente para que a extração valha a pena financeiramente. Quem controla esses minerais acaba controlando a velocidade e o custo da tecnologia mundial.
Qual é o tamanho da riqueza que o Brasil possui no subsolo?
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China. Além disso, o país detém o monopólio quase total do nióbio, mineral usado para fazer aços ultrarresistentes, e é um dos maiores produtores mundiais de grafite e lítio. Temos recursos de sobra para sermos uma peça-chave na nova economia global, que depende cada vez menos do petróleo e mais desses minerais estratégicos.
Como a China domina esse mercado atualmente?
A China não apenas extrai os minerais, mas controla quase todo o processo de refino e beneficiamento. Eles investiram pesado durante décadas em indústrias que transformam a pedra bruta em produtos de alto valor. Isso criou uma dependência mundial: em 2025, restrições chinesas de exportação chegaram a travar fábricas de aviões e carros no Ocidente. O Brasil aparece agora como a principal alternativa para os Estados Unidos e a Europa reduzirem essa dependência.
Por que o Brasil ainda não aproveita todo esse potencial?
Hoje, o Brasil sofre de uma ‘maldição’ econômica: exportamos a terra com mineral bruto por um preço baixo e compramos de volta produtos industrializados caros que usam esses mesmos minerais. Falta ao país uma política industrial clara e infraestrutura para processar os materiais aqui dentro. Embora tenhamos a vantagem de uma energia elétrica muito limpa, o mapeamento geológico do nosso território ainda é incompleto, o que gera insegurança para novos investimentos.
O que o país precisa fazer para se tornar um protagonista global?
É necessário transformar a geologia em estratégia política. Isso significa criar regras mais claras para as mineradoras, investir em tecnologia para o refino nacional e usar nossas reservas como moeda de troca em acordos internacionais. O momento exige que o governo decida se o Brasil será apenas um fornecedor passivo de matéria-prima para outras potências ou se ocupará um lugar de destaque na reconfiguração da indústria mundial.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
noticia por : Gazeta do Povo










