Caça Gripen para dois pilotos faz voo inaugural na Suécia; veja vídeo

O primeiro caça Gripen na versão F, para dois pilotos, decolou na manhã desta sexta-feira (28) em Linköping, sede da fabricante sueca Saab. O voo durou 40 minutos e transcorreu sem problemas.

O avião, que havia sido apresentado em uma cerimônia em junho, foi desenvolvido durante cinco anos em conjunto com a FAB (Força Aérea Brasileira), a Embraer e outras empresas brasileiras.

Em 2014, a FAB assinou contrato para comprar 8 modelos bipostos e 28 para um piloto, conhecido como Gripen E. Já voam no Brasil 11 dessas versões monopostas. Até março, em valores corrigidos já foram pagos R$ 16,5 bilhões do contrato de R$ 29,5 bilhões.

O Brasil foi o primeiro interessado nessa versão. A Suécia, a compradora inicial desta terceira geração do caça, só encomendou por ora 60 modelos para um lugar.

O desenvolvimento conjunto, descrito pela fabricante como 50%-50% com o Brasil, ficou simbolizado no primeiro voo. Ele foi comandado pelo principal piloto de testes da Saab, Jakob Högberg, e pelo seu colega brasileiro Abdon de Rezende Vasconcelos.

Com isso, começa a campanha de testes para a certificação do avião, quando são testados seus limites operacionais e a funcionalidade dos sistemas em voo. O avião tem diferenças de tamanho e peso em relação à versão monoposta.

Quando o Brasil encomendou o modelo F, buscava um avião de treinamento no qual o instrutor orienta o aluno na cabine. Isso era praxe em diversas Forças Aéreas, além de dar ao segundo ocupante a eventual função de responsável por sistemas de armas em modo de ataque a solo, por exemplo.

A evolução tecnológica de lá para cá, com a revolução dos drones e da automação em tempo real no mundo aeronáutico, mudou o cenário. O segundo assento do Gripen F hoje é visto mais como uma central de controle de drones de combate que irão acompanhar o caça no futuro.

O conceito está avançado na Saab, que apresentou na semana passada a primeira maquete em tamanho real do ACP, sigla inglesa para Plataforma Colaborativa Autônomia, na prática um caça supersônico e furtivo sem piloto.

É um passo adiante dos projetos em curso hoje nos EUA, Rússia e China, entre outros, que preveem modelos mais simples e subsônicos servindo de “companheiro leal” e replicando orientações do caça principal.

O Gripen E já foi testado com uma inteligência artificial orientando manobras e, segundo a empresa, criando novas alternativas no ar, como ângulos de tiro e evasão de ameaças. Tudo isso pode, na teoria, ser compartilhado com os drones.

Nos planos da fabricante sueca, eles estarão disponíveis já na década de 2030. Ainda não há interesse contratual da FAB na opção, mas a Saab diz que dará prioridade a seus clientes já estabelecidos caso isso ocorra.

O Ministério da Defesa assinou em junho uma opção para a construção de mais 20 Gripen E na linha da Saab na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto (SP), mas ainda é incerto de onde virá o dinheiro para a empreitada. A instalação também deverá fabricar os 17 Gripen encomendados pela Colômbia recentemente.

noticia por : UOL

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