Para o segundo turno, no dia 25, teremos duas opções. Vitória da situação, com a recondução do presidente Lula à Presidência para exercer um quarto mandato, ou vitória de Flávio Bolsonaro, pela oposição. Para cada presidente haverá um desafio distinto.
Temos um grave problema fiscal, tema tratado na coluna de duas semanas atrás. O problema foi criado por Lula quando decidiu reindexar o Orçamento público —retomar a política de valorização do salário mínimo real e reindexar os pisos constitucionais em saúde e educação à receita corrente líquida—, o que adicionou R$ 520 bilhões em gastos no quadriênio do terceiro mandato.
Apesar de o impulso fiscal representado pela reindexação do Orçamento não ter gerado, por enquanto, desorganização da economia —Lula termina bem seu terceiro mandato—, os sinais de desequilíbrios são claríssimos.
A dinâmica da dívida pública não parou de piorar, e os juros muito elevados por muito tempo têm gerado enorme desconforto, principalmente na classe C, além de muita recuperação judicial, no agronegócio. Esse último fator talvez ajude a explicar a forte piora no desempenho de Lula no primeiro turno de 2026, em comparação com a mesma etapa eleitoral em 2022, nas cidades menores. São elas as que mais dependem do agronegócio.
Se reeleito, Lula terá de buscar um equilíbrio entre as instituições fiscais do governo Temer, representadas pelo teto dos gastos e pela desindexação do Orçamento, e a sua decisão de reindexação nos termos que vigoraram até 2015. Vale lembrar que essas instituições fiscais contribuíram para o problema fiscal que foi um dos componentes importantes de nossa grande crise de 2014 até 2016.
Ficará a tarefa para Lula, em um quarto mandato, de encontrar o equilíbrio entre esses dois polos que permita a convergência para juros reais menores.
O desafio para Flávio será de outra natureza. Claro que Flávio terá de arrumar a política fiscal. Mas, estando hoje na oposição, sempre poderá culpar seu antecessor, fazer as maldades no início do mandato, arrumar a macroeconomia e colher frutos em 2030. É fato que pode ser acusado de estelionato eleitoral. Mas é da política não haver total transparência. O erro de Dilma em 2014 foi de dosagem, não moral. Quando se trata de estelionato eleitoral, meia gravidez é diferente de gravidez inteira! Tratei desse tema em uma coluna de dezembro de 2021.
Assim, penso que o maior desafio para uma presidência de Flávio será institucional.
Uma presidência de direita no Brasil tem facilidades que uma presidência de esquerda não tem: o Congresso Nacional na média é, nesse caso, do mesmo campo ideológico do Executivo. Fica fácil, assim, construir uma coalização majoritária, isto é, com pelo menos 3/5 de parlamentares, que é o quórum para emendas constitucionais, e ideologicamente mais homogênea.
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O Executivo precisa sentar com os partidos parceiros da coalizão, negociar um plano comum de governo e, em seguida, compartilhar poder —ministérios e estatais— de forma proporcional. Se essa construção for bem-feita, talvez até consiga reverter parte da perda de Orçamento que o Executivo teve para o Legislativo nos últimos 15 anos.
Jair Bolsonaro se recusou a gerir nosso presidencialismo multipartidário seguindo o que ensinam os manuais. Veio com uma conversa de “velha política” e “vou governar com as bancadas temáticas”. Não funcionou.
Se Flávio vencer, oxalá tenha havido aprendizado quanto a isso.
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noticia por : UOL










