Grin disse que a visita poderia render imagens e material de campanha, além de reforçar o discurso de perseguição. Na leitura dele, a negativa já era esperada e a reação foi calculada para alimentar a narrativa de vitimização.
Sabendo que havia uma enorme probabilidade do Alexandre de Moraes negar a visita, já se tinha preparada a resposta, que é essa carta. Essa ideia de que estão sendo vítimas, de que estão sendo perseguidos, que o Alexandre de Moraes é o grande adversário, serve inclusive de estímulo para as campanhas a senador.
Eduardo Grin
O professor afirmou que o bolsonarismo tenta eleger senadores para criar obstáculos ao STF e, no caso de Moraes, até levar adiante um processo de impeachment. Por isso, ele avaliou que o episódio não se separa da estratégia eleitoral em curso.
O bolsonarismo tem como meta eleger um número suficiente de senadores para, a partir do ano que vem, criar obstáculos para os ministros do STF, possivelmente, no caso do Alexandre de Moraes, a depender, até levar adiante o processo de impeachment.
Eduardo Grin
Grin também apontou o risco de a autorização virar ato político na casa do ex-presidente, com mobilização e divulgação nas redes sociais. Ele citou como referência um episódio anterior em que, segundo ele, se falava em organizar manifestação em frente à residência de Bolsonaro.
Uma vez autorizada a visita, eu não desconsideraria a possibilidade de que isso virasse um ato político na casa do Jair Bolsonaro, com imagens, fotos para redes sociais. Acho que, já prevendo como a família Bolsonaro se comporta, a decisão do Alexandre de Moraes acabou sendo juridicamente defensável, embora a gente possa levantar uma pequena dúvida se ela foi humanamente defensável.
Eduardo Grin
noticia por : UOL







