Cinco motivos para acabar com o horário eleitoral gratuito

Durante décadas, o horário eleitoral gratuito foi apresentado como uma espécie de remédio democrático: se nem todos os candidatos podem comprar espaço na televisão e no rádio, o Estado obriga as emissoras a abrirem suas programações para que todos pudessem falar ao eleitor. Os jornais não chegavam a todos os cantos do país, e garantir alguns minutos de exposição aos candidatos parecia uma maneira razoável de reduzir a desigualdade entre candidatos. Mas o Brasil mudou, e o modelo ficou parado no tempo.

A propaganda eleitoral que começa nesta sexta-feira (28) ainda ocupará rádio e televisão como se a internet não tivesse transformado radicalmente a maneira como os brasileiros consomem informação. Dados do IBGE mostram que 95% dos domicílios brasileiros têm acesso à internet – 89% das pessoas usam smartphone como acesso principal à rede no país. Ao mesmo tempo, 85% dos brasileiros assistem às emissoras de TV aberta (onde o horário eleitoral é obrigatório). 

A televisão, é claro, não desapareceu. Mas a justificativa para um sistema que interfere diretamente na programação das emissoras e transfere seu custo para os contribuintes envelheceu muito mal, descolada da realidade do país.

Além disso, de gratuito o horário eleitoral não tem nada. Em 2026, o modelo poderá representar cerca de um bilhão de reais em renúncia fiscal. As emissoras deixam de pagar alguns impostos ao receberem esse valor na forma de créditos tributários, e na ponta da corrente é um dinheiro que poderia ser bem aproveitado dentro do orçamento do Estado. Em outras palavras, o que é de graça para os partidos não é gratuito para a sociedade.