De sua casa de campo no interior da Suécia, Eagle-Eye Cherry está vibrando com a Copa do Mundo. “Jogo futebol desde criança e amo o esporte”, diz o cantor e compositor, torcedor ardoroso do inglês Arsenal e do time sueco Hammarby. “Nem fiquei tão triste que o Arsenal perdeu a final da Champions [para o PSG], porque ganhamos a Premier League e isso basta.”
Eagle-Eye planeja ver o maior número possível de jogos da Copa do Mundo, mas tem outro compromisso importante, os ensaios com sua banda para a turnê que começa em algumas semanas e que terá três datas no Brasil.
Ele se apresenta em São Paulo, no Tokio Marine Hall, em 25 de julho, em Brasília, no dia seguinte, e em Curitiba, em 28 do mesmo mês. “Mal posso esperar para tocar aí. O Brasil é um dos meus lugares favoritos no mundo e tenho lembranças maravilhosas das viagens que fiz para o país.”
Eagle-Eye nasceu na Suécia há 58 anos, filho do trompetista americano Don Cherry e da pintora Moki Cherry. O pai teve uma carreira brilhante no jazz, tanto em discos solo quanto tocando com monstros como Ornette Coleman, John Coltrane e Sun Ra.
Em casa, ao lado da meia-irmã Neneh Cherry, que depois se tornaria uma famosa cantora, Eagle-Eye se acostumou a ouvir música brasileira de todos os tipos. “Meu pai amava a música do Brasil, e cresci ouvindo Jobim, Gilberto Gil e tantos outros artistas geniais.”
Uma grande influência de Eagle-Eye foi o percussionista Naná Vasconcelos, parceiro de Don Cherry no projeto Codona, que tinha ainda o americano Collin Wallcot. “Ver aqueles três tocando juntos foi incrível”, diz o artista.
“Na época, meu pai estava muito interessado em música da África e Índia e tocava instrumentos de cordas africanos, o Collin tocava cítara, e o Naná vinha com berimbaus e todos aqueles instrumentos maravilhosos de percussão, era uma coisa linda. Em meu primeiro show no Brasil, há uns 20 anos, Naná apareceu de surpresa para tocar comigo, foi uma das maiores experiências musicais de minha vida.”
Eagle-Eye tem uma carreira curiosa. Ele estourou logo com o primeiro disco, “Desireless”, de 1997, que trouxe o megahit “Save Tonight”. Depois, emendou dois LPs bem recebidos, “Living in the Present Future”, de 2000, e “Sub Rosa”, de 2003, mas interrompeu a carreira por quase uma década, retornando apenas em 2012 com “Can’t Get Enough”.
“A verdade é que dei muita sorte”, diz Eagle-Eye. “Lancei meu primeiro disco numa época em que a indústria da música ainda era muito forte, gravadoras tinham grana para investir em produção e marketing, e o público ainda tinha uma relação amorosa com o CD, aquilo de ler o encarte, ficar admirando a arte da capa, pequenas coisas que sumiram com o surgimento do streaming e da música digital.”
Eagle-Eye diz que percebeu, em meados dos anos 2010, que a lógica do mercado da música havia mudado, quando teve uma reunião com a gravadora e o diretor disse: “Então você fica responsável pela divulgação do disco no Instagram”.
“Juro que não estava preparado para aquilo”, diz o músico. “Sempre fui uma pessoa muito privada, nunca gostei de expor minha intimidade, e a rede social, por definição, existe para fazer justamente isso. Demorei muito a entender como as coisas funcionavam e como eu ainda poderia resguardar minha vida particular.”
A passagem pelo Brasil acontece em um momento marcante da carreira de Eagle-Eye. Depois da pandemia, ele lançou dois discos mais crus e pesados, “Back on Track”, de 2023, e “Become a Light”, de 2025, influenciado pelo rock que ouvia na adolescência, como The Clash e o pós-punk inglês.
“São discos muito orgânicos e feitos para serem tocados ao vivo”, diz Eagle-Eye. “Mal posso esperar para dividir essas canções com o público brasileiro, que sempre me recebeu tão bem. E desejo boa sorte a vocês na Copa!”
noticia por : UOL









