Ao não dar as costas para Wagner, Lula arriscou chamar para si uma parte do BO do Master. Flávio não pensou duas vezes, mesmo com esqueletos no armário que depois foram jogados para fora.
Jair Bolsonaro ficou conhecido por jogar aliados ao mar quando isso lhe beneficiava pessoalmente, como ocorreu com Gustavo Bebianno e o general Santos Cruz. Por causa disso, durante o seu governo, eram comuns as comparações com Lula, com o reconhecimento, mesmo entre políticos da direita, de que o petista tinha um comportamento muito mais confiável do que o então presidente.
Questionado sobre o envolvimento de Ciro Nogueira, um dos principais apoiadores de sua candidatura, no caso Master, o filho de Jair disse que a hipótese que havia sido aventada de tê-lo como seu vice havia sido apenas um “gesto”, que o senador “não tinha perfil” para a vaga, que ele “é acusado de coisas graves e vai responder” e que, se Deus quiser, provará a inocência. Largou o amigo no acostamento.
Uma semana depois, foi o dia do troco de Ciro Nogueira. Em entrevista à TV Clube, afiliada da Globo no Piauí, o senador disse que não estava lá para defender nem acusar Flávio Bolsonaro. “Ele tem que ser investigado, como todos, como eu estou sendo. E, se for inocente, que seja, lógico, reconhecida a sua inocência. Se for culpado, tem que pagar exemplarmente”, disse.
Flávio esperava que Ciro fosse leal mesmo depois de ser descartado, porque os Bolsonaro confundem aliança com submissão e lealdade com via de mão única. O pré-candidato tentou convencer o PP a subir em seu palanque depois de abandonar o presidente do partido no acostamento. O centrão é fisiológico, mas não parece ser trouxa.
Esse não foi o único motivo que afasta o centrão de Flávio — se ele estivesse dez pontos à frente de Lula ia ter fila de gente na porta da mansão do senador, pedindo “perdoa-me por me traíres”, no melhor estilo Nelson Rodrigues. Mas não está.
noticia por : UOL








