Prints mostram despedida entre servidor do Liceu e enteada dias antes de ser morto pela PM

DO REPÓRTERMT

Imagens obtidas pelo RepórterMT mostram algumas trocas de mensagens entre o servidor da Escola Estadual Liceu Cuiabano, Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos, e a enteada, antes da ocorrência que terminou com a morte dele durante uma ação da Polícia Militar, no bairro Goiabeiras, em Cuiabá, no último dia 11 de maio.

Em uma das conversas pelo WhatsApp, em 30 de março, o tom é de despedida. Naquele dia, há o registro de uma ligação de voz de aproximadamente três minutos entre os dois. Após a chamada, a conversa passa a conter mensagens com senhas pessoais, orientações financeiras, recados deixados pelo servidor e pedidos relacionados ao cachorro da família.

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Valdivino envia informações relacionadas ao cofre da residência, senhas de dispositivos e cartões bancários, além de citar pessoas que lhe deviam dinheiro. “A senha do computador onde tem as pessoas me devendo é…”, escreveu.

Em seguida, ele também encaminha mensagens relacionadas à senha do celular e dos cartões bancários. Depois dos recados financeiros, o servidor faz um pedido envolvendo o cachorro da família. “Pede para sua mãe, pelo amor de Deus, cuide de Billy”, escreveu.

As mensagens seguintes demonstram forte abalo emocional. “Obrigado!! Gostei muito de ter cuidado de você. Deus te abençõe muito”, afirmou.

“O homem tem que ter um sentido na vida e eu não vejo mais nenhum sentido, viver para que??? Nessas últimas horas minha só tenho a agradecer a todos”, continua outro trecho.

Na sequência, já no dia da morte de Valdivino, ele afirma que não gostaria que a enteada passasse pela situação e diz que ela era a única pessoa para quem poderia deixar os recados.

“Eu não gostaria que você passasse por isso é muito dolorido, mas eu só tinha você para deixar esses recados”, escreveu.

Outro print mostra a conversa entre eles já no dia da morte de Valdivino, no período da tarade. A jovem pergunta se Valdivino estava em casa, avisa que estava indo até a residência e informa quando chega ao local. 

Entenda o caso

No dia 11 de maio, equipes da Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (RAIO) foram acionadas após denúncia de que uma mulher era mantida refém dentro de uma residência por um homem armado. Diante da gravidade da situação, policiais da Rondas Ostensivas Tático Móvel (ROTAM), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e de outras guarnições também foram mobilizados e cercaram o imóvel.

Ao chegarem ao local, os policiais afirmaram ter visto Valdivino ao abrir a porta dos fundos da casa. Segundo a PM, ele desobedeceu à ordem de rendição e apontou a arma em direção às equipes, momento em que os militares efetuaram os disparos.

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A enteada do servidor confirmou, em depoimento à Polícia Civil, que foi ameaçada de morte e mantida refém, mas afirmou que ele não chegou a apontar a arma para ela. Segundo a jovem, no momento da entrada dos policiais, o revólver estava na cintura de Valdivino, enquanto ele segurava um celular e a chave da porta.

A ex-esposa do servidor também foi ouvida e relatou à Polícia Civil que sofria agressões durante o relacionamento. Segundo o delegado Bruno Abreu, a mulher afirmou ter encerrado o casamento devido ao comportamento agressivo de Valdivino. Ela ainda relatou que o servidor utilizava arma de fogo para intimidar familiares.

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Laudo pericial divulgado pela Polícia Civil apontou que Valdivino foi atingido por seis disparos, sendo três na barriga, um nas costas, um na coxa e outro de raspão na cabeça. A perícia também concluiu que ele não efetuou disparos contra os policiais militares.

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que também apura o suposto desaparecimento de R$ 20 mil de um cofre que estava no quarto do servidor.

Veja prints:

 

Imagens mostram últimas mensagens entre enteada e servidor do Liceu antes de morte em ação policialImagens mostram últimas mensagens entre enteada e servidor do Liceu antes de morte em ação policial

 

FONTE : ReporterMT

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