Obra de Mauro Vaz Curvo utiliza caso real em Cuiabá para analisar a discriminação múltipla, fenômeno onde diferentes preconceitos se somam
Obra de Mauro Vaz Curvo utiliza caso real em Cuiabá para analisar a discriminação múltipla, fenômeno onde diferentes preconceitos se somam
DO REPÓRTERMT
Uma auxiliar de limpeza haitiana, lésbica, idosa e com deficiência visual é chamada de “urubu” e ridicularizada pelo sotaque em uma escola de elite de Cuiabá. O caso, embora narrado de forma fictícia na abertura do livro “Discriminação Múltipla e Interseccional no Trabalho”, serve como o fio condutor para o juiz Mauro Roberto Vaz Curvo, titular da 1ª Vara do Trabalho de Tangará da Serra, expor uma realidade brutal e ainda invisível nos tribunais brasileiros.
Lançada pela Editora Venturoli, a obra é fruto de uma pesquisa de mestrado na UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) e foca no “nó” que se forma quando racismo, xenofobia, homofobia e etarismo se manifestam ao mesmo tempo. Segundo Vaz Curvo, o Direito brasileiro ainda falha ao tentar fragmentar essas violências, tratando-as como fatos isolados, quando, na verdade, elas se fundem para produzir impactos psicológicos e sociais muito mais profundos.
O estudo não se limita à teoria e traz um levantamento rigoroso de decisões do TST (Tribunal Superior do Trabalho), tratados da ONU e precedentes da Corte Interamericana de Direitos Humanos. O objetivo do magistrado é fornecer ferramentas para que o sistema de justiça compreenda que a estrutura social do país, marcada pelo machismo e pelo racismo, raramente permite que um preconceito caminhe sozinho.
Mauro Vaz Curvo, que também integra o Grupo de Pesquisas em Ambiente do Trabalho da UFMT (GPMAT), destina a publicação não apenas a advogados e juízes, mas ao público geral que busca entender como a sobreposição de marcadores sociais dita quem ascende e quem é descartado no mercado de trabalho contemporâneo.
FONTE : ReporterMT








