Risco no mar: o que são as minas navais e por que elas podem agravar a guerra entre Irã, EUA e Israel


EUA destroem navios iranianos com minas no Estreito de Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a subir o tom contra o Irã na terça-feira (10), após reportagens da imprensa norte-americana afirmarem que forças iranianas poderiam colocar explosivos conhecidos como minas navais no Estreito de Ormuz.
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▶️ Contexto: O Estreito de Ormuz é uma rota marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A região é considerada estratégica e fica entre o território iraniano e a Península Arábica.
Após o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã afirmou que estava fechando o estreito e ameaçou atacar embarcações que tentassem fazer a travessia.
Diante da ameaça, o tráfego marítimo na região caiu drasticamente.
O movimento pressionou o preço do barril de petróleo, que chegou a se aproximar dos US$ 120 na segunda-feira (9).
Ainda na segunda, Trump afirmou que o estreito não estava fechado, em uma tentativa de incentivar o fluxo de petróleo. O presidente disse que poderia atacar o Irã “vinte vezes mais forte” caso o país interferisse no transporte da commodity.
Agora, com a possibilidade de minas estarem sendo colocadas na região, qualquer navio que tente cruzar as águas pode correr riscos. Os explosivos ficam submersos ou à deriva e podem ser acionados automaticamente por contato ou quando detectam a passagem da embarcação.
Mina naval da Alemanha instalada na Segunda Guerra Mundial sendo detonada em maio de 2014
David Krigbaum/US Navy
💥 Poder do Irã: Estimativas apontam que o governo iraniano pode ter um estoque entre 2 mil e 6 mil minas navais. As armas são explosivos posicionados no mar para atingir embarcações.
Existem diferentes modelos de minas navais. Algumas ficam presas ao fundo do mar, enquanto outras permanecem ancoradas a certa profundidade ou, em alguns casos, podem ficar à deriva.
Modelos mais simples explodem a partir do impacto com o casco do navio.
Versões mais modernas utilizam sensores que detectam alterações no campo magnético, na pressão da água ou no ruído dos motores.
De acordo com análises do Strauss Center for International Security and Law, da Universidade do Texas, o Irã mantém um arsenal variado de minas de origem soviética, ocidental e de fabricação própria.
Um estudo do centro aponta que um dos modelos mais avançados em posse do país seria a EM-52, de origem chinesa.
Essa mina permanece no fundo do mar e dispara uma espécie de foguete em direção ao alvo quando detecta a passagem de uma embarcação.
Segundo o estudo, a capacidade iraniana de instalar minas desse tipo em grande escala é limitada, já que o país teria apenas três submarinos apropriados para lançar o modelo.
Diante disso, o Irã poderia usar embarcações pequenas para posicionar minas mais simples.
Ainda de acordo com o Strauss Center, mesmo que o Irã consiga atingir navios no Estreito de Ormuz, dificilmente uma única mina seria capaz de afundar uma embarcação de grande porte, como um petroleiro. O navio, no entanto, poderia sofrer danos.
O uso de minas marítimas é regulamentado pela Convenção de Haia de 1907.
O tratado proíbe que países instalem minas de contato perto da costa ou de portos inimigos com o objetivo de bloquear o tráfego de embarcações comerciais.
O Estreito de Ormuz já foi minado no passado. Na década de 1980, durante a fase final da guerra entre Irã e Iraque, explosivos foram espalhados pela região.
Mina naval foi encontrada no Mar Negro por pescadores
Forças Armadas da Romênia via Reuters
EUA atacam barcos
Em uma publicação na rede Truth Social, Trump exigiu que o Irã desistisse de instalar minas na região ou removesse qualquer explosivo que tenha sido colocado na rota marítima.
“Se, por qualquer motivo, minas foram colocadas e não forem removidas imediatamente, as consequências militares para o Irã serão de uma magnitude sem precedentes”, afirmou.
O presidente disse ainda que os Estados Unidos monitoram a região e destruirão qualquer embarcação usada para minar o Estreito de Ormuz.
Pouco depois, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou que atacou vários barcos iranianos ao longo da terça-feira.
Entre os alvos estariam 16 embarcações usadas para transportar minas navais.
Na segunda-feira (9), Trump afirmou em entrevista que avaliava tomar o controle do Estreito de Ormuz. Ele disse ainda que poderia destruir o Irã caso o país tentasse interferir na região.
“Se fizerem qualquer coisa errada, será o fim do Irã e vocês nunca mais ouvirão esse nome novamente”, afirmou.
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Fonte: G1

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